A Galp Energia disse hoje que não avançará com uma nova central de ciclo combinado em Sines, caso o Governo não institua, para as novas centrais, uma remuneração de potência semelhante à de Espanha.
“Esperamos que saia legislação nesse sentido, porque, se não existir remuneração de potência como existe nas centrais em Espanha, estas estruturas não são rentáveis”, disse o presidente executivo, Manuel Ferreira de Oliveira, numa conferência de imprensa para explicar os resultados da empresa do primeiro semestre deste ano.
O responsável disse que essa remuneração de potência, uma quantia paga para que a central esteja disponível para injectar eletricidade no sistema, é assegurada para as centrais mais antigas em Portugal - mas não para as novas - e é assegurada para todas as centrais em Espanha.
“Nós não podemos competir com as centrais do outro lado da fronteira, que, mesmo quando estão paradas, estão a recuperar capital investido, e as nossas não”, disse Ferreira de Oliveira, acrescentando que para chegar a essa conclusão “basta estudar as regras do Mibel e do Mibgas, que exige certas regras de equilíbrio”.
A remuneração de potência das novas centrais em Portugal tem sido reivindicada também pela EDP.
O administrador da EDP João Manso Neto considerou em Junho “completamente desadequado” o sistema de remuneração das centrais térmicas em Portugal, afirmando que este problema cria uma “discriminação” entre produtores estabelecidos em Portugal e produtores estabelecidos em Espanha.
Sobre o projecto em si, Ferreira de Oliveira recordou que a Galp é parceira da International Power, que ficará dona e gestora da central.
A Galp Energia já terá iniciado contactos com a banca para o financiamento da futura central de ciclo combinado a gás de Sines, com uma potência de 400 megawatts, estando em causa uma verba de cerca de 500 milhões de euros.



