A empresa vai vender combustíveis mais baratos e sem aditivos, à semelhança do que é praticado por algumas grandes superfícies.
Para fazer frente ao aumento da procura de combustíveis mais baratos, a Galp Energia está a testar um novo conceito de posto de venda, o Galp Base.
O primeiro posto abriu na passada sexta-feira em Setúbal, onde, segundo avançou ontem a TSF, os preços praticados são de 1,27 euros por litro de gasolina de 95 octanas e 1,06 euros o litro de gasóleo. Preços estes que, segundo a rádio, "são exactamente o preço praticado pelo maior hipermercado da cidade".
Este é "um teste para avaliar o potencial do mercado" dos combustíveis a baixo preço, disse ao PÚBLICO Pedro Marques Pereira, porta-voz da Galp Energia. Segundo este responsável, o principal objectivo passa por "dar resposta a todos os clientes".
À semelhança dos hipermercados, o Galp Base terá somente um funcionário na caixa de pagamento, bombas de combustível, uma mangueira de pressão e outra de água. "É chegar, abastecer, pagar e ir embora", afirmou Pedro Marques Pereira.
A Galp Energia reduz assim os custos de mão-de-obra e investimento extra, como sejam as lojas com alimentos e outros produtos ou ainda as estações de lavagem e limpeza de automóveis. Com esta estratégia, a petrolífera liderada por Manuel Ferreira de Oliveira tenta ganhar terreno num segmento de negócio liderado pelos hipermercados. No total, os "hipers" possuem já uma quota de 15 por cento da venda de combustíveis. Os preços praticados por empresas como Jumbo, Pingo Doce, Feira Nova, E.Leclerc e grupo Mosqueteiros são, de acordo com contas feitas em Janeiro pela Autoridade da Concorrência, 11,1 cêntimos mais baratos que nas gasolineiras tradicionais.
Em comentário à Lusa, o Automóvel Clube de Portugal (ACP) disse que esta nova estratégia da Galp vem dar "razão" às suas críticas sobre o alto preço dos combustíveis em Portugal. "Ao ver-se obrigada a concorrer directamente com os postos detidos pelos hipermercados, a Galp vem reconhecer a razão do ACP", disse a associação.
O ACP, presidido por Carlos Barbosa, considerou ainda que a não adição de produtos ao combustível por parte da Galp é agora contraditória, visto que "sempre se recusou" a fazê-lo por "alegadamente não possuir a mesma qualidade".
Já o porta-voz da Galp Energia remeteu para um "produto mais simples", sem que isso altere a imagem de qualidade associada à marca.
O posto de Setúbal é um projecto- piloto, mas a empresa não descarta a possibilidade de vir a expandir uma rede a nível nacional. "Vão ser avaliados dados e logo se determinará o que fazer", concluiu Pedro Marques Pereira.
Notícia actualizada às 11h30



