Alberto Soares, presidente do IGCP, responsável pela emissão de dívida.
(Miguel Manso)O valor das aplicações em dívida pública portuguesa nos fundos de investimento comercializados em Portugal caiu 25,8 por cento no primeiro mês do ano, para 263,7 milhões de euros, segundo os dados hoje divulgados pela CMVM.
O acentuado recuo da aposta dos gestores de fundos na dívida soberana de Portugal reflecte as preocupações dos investidores com o possível contágio da situação grega, com as negociações que decorrem entre o governo helénico e os credores privados para um ‘hair cut’ (corte/perdão) da dívida do país. Os bancos portugueses que detêm títulos de dívida grega em carteira tiveram que registar imparidades com este investimento que chegaram a alcançar 65 por cento do valor inicial dos títulos.
De resto, de acordo com a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o valor das aplicações em dívida pública estrangeira desceu 5,8 por cento, entre o final de Dezembro e o último dia de Janeiro, para 714 milhões de euros.
Os indicadores de síntese do supervisor relativos a Janeiro mostram que, neste mês, o valor sob gestão dos organismos de investimento colectivo em valores mobiliários (OICVM) totalizou 6.030,5 milhões de euros, mais 12,6 milhões de euros (0,2 por cento) do que em Dezembro. Nos fundos especiais de investimento (FEI) o valor sob gestão subiu para 4.922,8 milhões de euros, mais 2,2 por cento do que no mês anterior.
Nota para o valor das aplicações em acções estrangeiras, que subiu 4,8 por cento face a Dezembro para 1.230 milhões de euros, enquanto o valor investido em acções nacionais caiu 3,8 por cento para 344,5 milhões de euros em Janeiro.
Nas obrigações estrangeiras, a classe de activos que mais pesa nas carteiras dos fundos (34,3 por cento), o montante investido recuou 1,7 por cento face a Novembro, para 3.711,9 milhões de euros e nas obrigações nacionais desceu 1,9 por cento para 913,9 milhões de euros em Dezembro.
O título que mais pesou nas carteiras dos fundos foi o BES, com um peso de 17,9 por cento no último mês, apesar da queda mensal de 11,1 por cento no valor sob gestão para 61,5 milhões de euros. Seguiu-se o Espírito Santo Financial Group (‘holding’ que controla o BES), cuja valorização nas carteiras dos fundos foi de 8,7 por cento para 56,6 milhões de euros, e a Zon com uma subida de 13,3 por cento em relação ao mês anterior.
Na União Europeia, a Total Efina liderou a posição nas carteiras dos Fundos de Investimento Mobiliário (FIM), após a subida de 0,4 por cento face a Dezembro, para 16,9 milhões de euros. Fora da União Europeia, o Banco Bradesco continuou a ser o principal título a integrar as carteiras dos fundos, com o montante sob gestão a aumentar 0,3 por cento em relação a Dezembro para 59,1 milhões de euros.



