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CGTP deixa greve geral para depois das férias

Antrop diz que só um aumento pelo menos de três por cento poderia equilibrar as empresas

Governo admite aumentar transportes já em Julho mas ainda não revela quanto vão custar

26.05.2010 - 07:49 Por Luísa Pinto

A notícia de que os transportes iriam sofrer aumento zero, pelo segundo ano consecutivo, está desactualizada desde ontem. Primeiro foi o secretário de Estado dos Transportes, Correia da Fonseca, a admiti-lo, aos microfones do Rádio Clube. Depois foi o ministro da Economia, Vieira da Silva, a confirmar os aumentos, desde Bruxelas. "Se já não há desde há dois anos, é normal que o tarifário seja revisto", afirmou.

Mas, para já, ninguém do Governo quer quantificar o aumento. "Vamos aplicar a fórmula que está acordada há uns anos e fazer os cálculos", disse Correia da Fonseca, acrescentando que ainda não há números no ministério. Foi a direcção nacional da Antrop, a associação que representa os transportadores rodoviários de passageiros, que, para já, fixou a bitola: "O que esperamos é um aumento entre os três e os quatro por cento", afirmou ao PÚBLICO Luís Cabaço Martins.

Mais um euro

Se o Governo aceitar a sugestão, os passes intermodais de Lisboa e Porto sofrerão aumentos a rondar um euro: o passe intermodal Lisboa L, que custa 38,30 euros, passará a custar, em Julho, 39,45 euros; e um Andante Z4 (Metro do Porto), que custa 37,35 euros, passará a custar 38,36 euros. "É o mínimo exigível para que as empresas possam reequilibrar as suas contas e enfrentar este ciclo de aumentos dos combustíveis - 17 por cento no último ano", argumenta Cabaço Martins.

Desde 2005 que as operadoras de transporte mantêm em vigor um acordo com o Governo, onde se estabelece que os aumentos dos tarifários deveriam ser fixados em Janeiro; no caso de ocorrerem circunstâncias conjunturais especiais, poderia haver lugar a aumentos intercalares em Julho. "Anteriormente, os tarifários eram actualizados em datas mais arbitrárias, consoante a agenda governativa", recorda o presidente da Antrop. Desde Julho de 2008 que não existe actualização dos tarifários (ver tabela ao lado) e o aumento de 5,8 por cento fixado então abrangeu apenas os bilhetes simples.

"Enfrentávamos um pico elevado dos combustíveis, mas o aumento foi residual, que não abrangeu os passes mensais", insiste Cabaço Martins, que acrescentou outro argumento ao caderno reivindicativo com que pediu ao Governo a activação do mecanismo de revisão intercalar dos tarifários. "Não é só o congelamento desde há dois anos, nem o preço dos combustíveis. A criação dos passes 4-18 anos e sub-23 pelo Governo, e que oferecem descontos de 50 por cento, também foram muito penalizadores para os operadores de transportes, porque levaram a uma transferência dos utentes que já tínhamos para esses títulos e que resultou numa perda de muitos milhões de euros", afirmou. As negociações estão em curso "há alguns dias" e deverão ter uma conclusão "muito em breve".

Também o aumento do IVA em um ponto percentual - anunciado entre as medidas extraordinárias do plano de austeridade (no passado dia 12 de Maio) - deverá, segundo Cabaço Martins, reflectir-se no preço cobrado ao utente. "O IVA é um imposto que não é para nós, essa receita é para o Estado. Nós vamos aceitar a variação da taxa do IVA e repercutir com certeza no preço final" cobrado aos clientes, concluiu.

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