Sindicatos da CP suspenderam, a 21 de Abril, as greves agendadas
(Paulo Pimenta)A CP ainda está a aguardar resposta do Governo para poder aplicar um regime de trabalho alternativo aos cortes na função pública. Os sindicatos mantêm a suspensão das greves acordada com a ferroviária nacional, mas avisam que não podem esperar muito mais tempo.
Numa curta reunião, hoje, entre a administração e os sindicatos do sector, a CP informou os representantes dos trabalhadores não ter recebido qualquer resposta dos ministérios das Finanças e das Obras Públicas (que tutelam a empresa) sobre o estudo apresentado há uma semana para ser retomado o acordo de empresa que permite excepções nos cortes salariais na empresa.
A CP não tem nenhum compromisso por parte do Governo quanto a prazos para receber uma resposta, pelo que não ficou agendada nenhuma data para uma nova reunião ente administração e os sindicatos do universo CP: as partes voltam a sentar-se à mesa quando a empresa tiver alguma novidade do lado das tutelas, confirma a porta-voz da CP, Ana Portela.
Os sindicatos vão, por isso, aguardar “mais uns dias”, na expectativa de que na próxima semana a resposta do Governo à CP fique clarificada. Mas se ela demorar, poderão decidir se avançam com novas paralisações, avisa o coordenador do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF), José Manuel Oliveira.
Para o sindicalista, só há duas vias que o Ministério das Finanças pode tomar, tendo aceitado o estudo da administração da empresa para ser retomado o acordo de empresa: “rapidamente dar o aval à CP para avançar com o acordo que fez ou, então, em último caso, na eventualidade de não aceitar [a proposta], a única opção [que tem] é demitir a administração”. “Mas esse é um cenário que não se vai colocar”, acredita José Manuel Oliveira.
Mesmo que, depois da próxima semana, os sindicatos decidam avançar com novas greves contra os cortes ao pagamento das horas extraordinárias, ao trabalho em dias de descanso e feriados e ao trabalho nocturno, terá de ser cumprido o prazo legal de pré-aviso de greve dez dias úteis antes da data da paralisação.
Como os sindicatos se comprometeram com a CP a suspender todas as greves e garantindo que vão esperar, pelo menos, mais uma semana por uma resposta, a seguirem em frente com paralisações, elas nunca acontecerão antes de 19 de Maio.



