Plano de austeridade leva Governo grego a fazer ultimato a deputados 
11.02.2012 - 15:02 Por Pedro Crisóstomo
Manifestação em Atenas juntou umas 3500 pessoas frente ao Parlamento
(Foto: Aris Messinis/AFP)Subscrito o pacote de austeridade na Grécia, as forças da coligação de Governo colocam agora a responsabilidade sobre o futuro do país nas mãos dos deputados. O executivo veio hoje pressionar os parlamentares que suportam a maioria de Governo a aprovarem as novas medidas de rigor sob pena de o país entrar em bancarrota.
O novo plano que a troika exige como contrapartida para accionar um segundo resgate financeiro ao país foi ontem oficialmente assinado entre os três partidos da coligação (os socialistas do PASOK, os conservadores da Nova Democracia e o partido de extrema-direita, apesar da demissão de quatro ministros deste último).
Embora mantenha a maioria no Parlamento graças ao apoio dos socialistas e dos conservadores, o Governo avisa para um desfecho imprevisível se as medidas de reforma económica forem bloqueadas pelos deputados.
“As consequências de um incumprimento desordenado seriam incalculáveis para o país – não apenas para a economia… deixar-nos-ia num caminho desconhecido e perigoso”, vincou o vice-ministro das Finanças, Filippos Sachinidis, citado pela Reuters.
O líder da Nova Democracia, Antonis Samaras, garante a disciplina de voto entre os conservadores na votação do plano de austeridade marcada para amanhã no Parlamento. Os deputados que não cumprirem a orientação de voto do partido, afirmou, serão excluídos das listas de candidatos às eleições que deverão ocorrer dentro de meses (ainda não há data para as legislativas).
Apesar da saída de vários ministros do Governo (quatro do LAOS e dois do PASOK), a rebelião no partido de extrema-direita não coloca em causa a maioria parlamentar do executivo. Juntos, o PASOK e a Nova Democracia têm 236 deputados em 300 assentos parlamentares – os socialistas são 153 e os conservadores 83.
Nas hostes socialistas, o pacote foi defendido pelo líder e anterior primeiro-ministro Georgios Papandreou como a solução para a Grécia evitar entrar em incumprimento. A zona euro exige um compromisso explícito sobre reformas económicas para continuar a financiar o país através do actual programa de empréstimo e accionar um pacote suplementar de 130 mil milhões de euros.
Com o acesso fechado ao financiamento dos mercados internacionais, a Grécia está actualmente dependente da assistêcia externa da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional para pagar 14,5 mil milhões de euros em empréstimos que se vencem a 20 de Março.
Numa reunião do grupo parlamentar, Papandreou reconheceu estar em causa um programa de austeridade, mas rebateu as críticas internas ao plano de ajustamento. “O nosso dilema existência é: perder um pouco ou perder tudo”. “O novo programa é difícil e duro, mas é a nossa única esperança de não viver situações extremas”.
Hoje, a Grécia cumpre o segundo dia de uma greve geral de 48 horas que voltou a trazer milhares de pessoas para as ruas de Atenas e Salónica. É o terceiro dia de paralisação no país desde terça-feira – e o terceiro de manifestações e confrontos na capital, onde a polícia contabilizou esta manhã 3500 pessoas na praça Syntagma, frente ao Parlamento.


