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Cinco áreas de exploração

Governo timorense vai abrir concurso para novos blocos petrolíferos

20.09.2010 - 10:52 Por Lusa

O Governo de Timor-Leste vai abrir concurso público internacional para a concessão de novos blocos petrolíferos no mar de Timor, nas suas águas exclusivas, disse hoje fonte governamental.

O último concurso foi realizado em 2006, tendo o gigante petrolífero italiano ENI assinado cinco contratos de partilha de produção com o governo de Timor-Leste. A sexta concessão foi na altura atribuída aos indianos da Reliance Industries.

De fora ficaram o consórcio formado pela Galp portuguesa e pela brasileira Petrobrás, e os malaios da Petronas, que disputavam os blocos C e E. A ENI veio posteriormente a vender dez por cento das acções desses contratos à Galp e à Kogas, da Coreia do Sul.

Ficaram por atribuir as concessões relativas aos blocos D, G, F, I e J, para as quais estão a ser preparados os respectivos concursos.

“Estamos a preparar o enquadramento legal para abrir os concursos públicos em relação aos blocos que faltam no mar de Timor. Os que nos oferecerem as melhores condições terão o direito de exploração”, disse à Agência Lusa o ministro da Economia e Desenvolvimento, João Gonçalves.

Projecto de industrialização para a costa sul

No tocante aos blocos em terra (on-shore), o Governo timorense pretende apenas lançar a sua concessão após ter em exploração as reservas marítimas. “Na parte terrestre não estamos com muita pressa, na medida em que existem recursos no mar”, disse.

Face à situação de impasse relativa ao campo de gás natural de Sunrise, Timor-Leste está empenhado em lançar rapidamente o concurso público internacional para concessionar a exploração dos blocos petrolíferos situados nas suas águas territoriais, para viabilizar o projecto de industrialização da costa sul, de base petroquímica.

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, tem evidenciado a importância deste projecto como futuro motor da economia, no âmbito do Plano de Desenvolvimento Estratégico que tem vindo a apresentar ao país.

“Vamos continuar o nosso esforço para que seja feito o gasoduto desde Sunrise, de maneira a que seja feito o processamento do gás no nosso país, mas temos também recursos petrolíferos nos mares que são inteiramente da nossa soberania e no interior do nosso território”, sublinhou o ministro.

Falta de técnicos

João Gonçalves indicou que a companhia petrolífera australiana Woodside poderá ter mais a perder do que a ganhar ao insistir na sua posição de processar o gás natural numa plataforma flutuante e estendeu a advertência à própria Austrália.

“Se nos quiserem forçar a aceitar as outras opções que a Woodside está a querer e que para nós não são a melhor opção, a companhia Woodside tem um período em que tem de iniciar os trabalhos de exploração. Se não chegarmos a acordo, dentro desse prazo, perde o direito que detém, o qual volta novamente para a mesa de negociações com a Austrália”, avisou.

Para o ministro da Economia e Desenvolvimento timorense, “a Austrália teria todo o interesse em apoiar Timor-Leste nas suas posições, na fase de arranque”. “Devido à nossa falta de técnicos e peritos, a Austrália beneficiaria com isso”, acrescentou.

Entretanto, se estiverem avançadas outras negociações relativas a campos sob a soberania timorense, que permitam avançar já com o desenvolvimento programado para a costa sul, Timor-Leste terá de ir buscar técnicos a outro lado, explicou. “A meu ver, a Austrália só perderá com isso”, afirmou.

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