Grécia aceita despedir 15 mil funcionários públicos 
06.02.2012 - 18:31 Por José Manuel Rocha, Pedro Crisóstomo
Negociações no domingo duraram mais de cinco horas
(Foto: Aris Messinis/AFP)A coligação governamental grega aceitou reduzir em 15 mil o número de funcionários públicos, este ano, no âmbito das negociações de um novo pacote de ajuda.
Segundo uma infomração da agência Associated Press citada pelo jornal Kathimerini, a redução da força laboral na administração do Estado vai ser feita com base numa nova legislação que irá, precisamente, permitir os despedimentos na função pública.
A medida é uma das exigências da troika de credores internacionais para libertar uma nova tranche de ajuda financeira que poderá ultrapassar os 130 mil milhões de euros. A eliminação de 15 mil postos de trabalho no sector público até ao final do ano faz parte de um plano de redução de 150 mil empregos até ao final de 2015.
Esperava-se, para hoje, um acordo entre os partidos que integram o arco governamental sobre as condições do novo programa de resgate, mas novas negociações, que têm sido mediadas pelo primeiro-ministro, Lucas Papademos, acabaram por ser adiadas para amanhã, apesar da Comissão Europeia ter avisado que o prazo para uma resposta grega estava esgotado.
Antes, o secretário-geral da Confederação Nacional do Comércio grego tinha criticado a coligação, ao considerar que as negociações entre os três partidos ultrapassaram o limite no quadro das negociações sobre as reformas laborais. “As linhas vermelhas das negociações transformaram-se em fitas vermelhas”, afirmou o líder da confederação, Vassilis Korkidis, num comunicado citado pelo jornal Kathimerini, a propósito das discussões que ontem juntaram à mesma mesa com Papademos os três líderes dos partidos da coligação, durante mais de cinco horas.
A reacção da confederação do comércio surge na véspera de uma nova ronda de negociações entre o primeiro-ministro, Lucas Papademos, e os líderes dos três partidos da coligação, Georgios Papandreou (socialista e o anterior chefe de Governo), Antonis Samaras (conservador) e George Karatzaferis (extrema-direita).
Apesar de as discussões entre os quatro responsáveis terem terminado ontem sem acordo quanto às exigências da troika para a Grécia receber um empréstimo suplementar que evite a entrada do país em incumprimento, Papademos afirmou que os partidos estão de acordo sobre os pontos fundamentais do programa de ajustamento.
O jornal Kathimerini noticia ainda que em cima da mesa das negociações estará um corte de 20% no salário mínimo, actualmente cifrado nos 751 euros por mês. O secretário-geral da confederação prometeu “proteger as empresas e o nível de vida do povo grego”.


