Grécia continua a marcar cimeira europeia 
24.06.2011 - 08:57 Por Agências, Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas
A primeira cimeira de líderes da União Europeia em que participa Pedro Passos Coelho continua hoje em Bruxelas. A agenda assinala para hoje o debate sobre assuntos internacionais, mas a crise grega vai continuar a dominar as conversas, depois de ontem o primeiro-ministro português ter traçado a diferença entre Portugal e a Grécia.
Passos Coelho, que falou ontem aos jornalistas no final da sessão de arranque da cimeira de líderes da UE, considerou que "era muito importante para Portugal que nesta reunião não houvesse uma associação de ideias" entre a situação portuguesa e o arrastamento da crise da dívida na Grécia, que dominou inteiramente os trabalhos de ontem.
O primeiro-ministro aproveitou ainda a ida a Bruxelas para reafirmar aos parceiros europeus o compromisso firme do Governo para aplicar o programa de ajustamento negociado como contrapartida da ajuda europeia e do FMI.
"Portugal está extremamente comprometido com o programa de assistência financeira", afirmou. "Ajuda [o facto de] acreditarmos firmemente nas medidas que lá vêm sendo defendidas", disse também. A todos os seus interlocutores garantiu que Portugal "tem todas as condições políticas para que o programa seja bem sucedido" devido à maioria parlamentar que suporta o Governo e ao apoio do Partido Socialista às medidas previstas.
Passos Coelho admitiu igualmente ontem em Bruxelas que vai pedir uma reprogramação do programa que regula a intervenção dos fundos estruturais comunitários em Portugal entre 2007 e 2013 – chamado Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) – de modo a obter o adiantamento de alguns financiamentos.
No que toca à Grécia, cuja crise financeira foi ontem o alvo de todas as conversas e de todas as negociações, os líderes da UE garantiram a Atenas que estão prontos a conceber um novo programa de assistência financeira desde que o Parlamento nacional aprove, na próxima terça-feira, o novo pacote de austeridade destinado a corrigir os actuais desequilíbrios.
A declaração dos líderes destina-se sobretudo a acalmar os mercados financeiros e a sossegar o FMI sobre o financiamento de Atenas nos próximos meses: sem esta garantia, o FMI não está em condições de libertar a sua parte (30 por cento) de uma parcela de 12 mil milhões de euros do actual programa de assistência externa de 110 mil milhões de euros que vigora há um ano. E, sem esta parcela, a Grécia entrará em bancarrota nas próximas três semanas.
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, indicou que “há uma verdadeira vontade dos Estados-membros para fazer o que for necessário” para ajudar a Grécia.
Tendo começado pelos temas financeiros, os líderes dos Vinte e Sete irão hoje debater assuntos como as políticas de migração europeias e os mais recentes desenvolvimentos no Mediterrâneo, com o foco apontado à Líbia, à Síria e ao processo de paz no Médio Oriente.


