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Greve de amanhã será "ritual burocratizado" ou é para ser "noticiada em todo o mundo"?

23.11.2011 - 21:10 Por Natália Faria

<p>Será difícil comparar com as outras greves gerais, porque o país mudou</p>

Será difícil comparar com as outras greves gerais, porque o país mudou

 (Enric Vives-Rubio)
Uma greve geral ainda mete medo a um Governo? Quase 40 anos depois do 25 de Abril, ainda é uma forma eficaz de contestação social ou ficou reduzida à função de "válvula de escape" do descontentamento generalizado para escoar a tensão latente e permitir que, no dia seguinte, tudo fique na mesma?

Depende, respondem os especialistas ouvidos pelo PÚBLICO. Divididos quanto à eficácia e ao significado da terceira greve geral do país em democracia, todos convergem, porém, na constatação de que o país está diferente do que era em 1988 e mesmo em 2010 - os únicos momentos em que as duas centrais sindicais, CGTP e UGT se aliaram no apelo à paralisação geral. E que, por isso, a ressaca desta paralisação pode divergir das anteriores e ir para além do que é habitual, ou seja, como atira o historiador Rui Ramos, fazer mais do que a "prova de vida" da CGTP e do partido que a apoia.

A repetir-se o que aconteceu em 1988, gozava o então primeiro-ministro, Cavaco Silva, da primeira maioria absoluta da democracia portuguesa, e novamente no ano passado, com um agastado José Sócrates em final de ciclo governativo, as televisões vão mostrar imagens de repartições e escolas fechadas, legendadas por vozes que vociferam contra "os atentados aos direitos dos trabalhadores" e vozes que vociferam contra os grevistas que os deixaram apeados no caminho para o trabalho, ao mesmo tempo que Governo e sindicatos se digladiam na discussão quanto aos números da adesão.

A questão está em que, para avaliar o peso que a greve de amanhã poderá ter, dificilmente se poderá tomar como referência as duas últimas greves gerais. Para começar, porque o país mudou. E se é verdade que, no ano passado, os portugueses já somavam dez anos de moeda única e de juros baixos que os transformaram em proprietários de casas e de carros hipotecados aos bancos, também é verdade que, então, a troika não passava pela cabeça de ninguém. E que aquilo que, em 2010, era uma luta dos trabalhadores é hoje uma questão de cidadãos empobrecidos, como apontava recentemente o sociólogo Boaventura Sousa Santos.

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