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Carvalho da Silva, nas primeiras horas da greve geral Piquetes e palavras de ordem na noite em que os aviões ficaram em terra e o metro parou

Alguns comboios foram suprimidos e pelo menos três carreiras nocturnas a operar

Greve geral arrancou no Porto a meio gás

24.11.2011 - 02:32 Por Jorge Marmelo

<p>Na estação de Campanhã, os efeitos foram sentidos ainda antes da meia-noite</p>

Na estação de Campanhã, os efeitos foram sentidos ainda antes da meia-noite

 (Fernando Veludo/nFactos)
Quando nesta quarta-feira saiu de casa para trabalhar, Joana Gonçalves, 26 anos, não deve ter imaginado que haveria de ser uma das primeiras pessoas a sofrer os efeitos da greve geral convocada para esta quinta-feira – e que, pelo menos no Porto, arrancou a meio gás, com vários serviços a funcionarem com relativa normalidade durante as primeiras horas da paralisação.

Joana cumpriu as rotinas diárias habituais e, ao fim do dia, dirigiu-se à estação de Campanhã, no Porto, onde contava apanhar o comboio que saía dali às 23h20 com destino a Guimarães. Quando chegou, porém, constatou que o serviço tinha sido “suprimido” e, portanto, viu-se apeada e teve que telefonar a um familiar para que viesse buscá-la ao Porto, a cinquenta quilómetros de distância. “Que remédio!...”, desabafou.

“Não estava à espera disto, pensava que a greve era só amanhã”, disse ao PÚBLICO a utente da CP que, apesar de todos os avisos de que o serviço seria afectado pela greve ainda durante o final do dia de quarta-feira, foi surpreendida pelos primeiros efeitos da paralisação.

Nos painéis informativos da estação, vários comboios estavam já com a indicação de supressão. Outros, abrangidos pelos serviços mínimos, mantinham os horários habituais a partir das 0h40, mas ainda ninguém garantia que fossem operar normalmente. Junto às linhas, os painéis electrónicos passavam repetidamente a frase “circulação perturbada”, ainda que, mesmo depois da meia-noite, tivesse saído o comboio que devia efectuar a ligação com a estação de S. Bento.

Também no metropolitano os painéis informativos alertavam para uma redução do serviço entre as estações da Senhora da Hora, em Matosinhos, e do Estádio do Dragão, mas apenas a partir das 7h00. O início do período de greve não teve, por isso, nenhum efeito imediato após a meia-noite. Até à 1h00 mantiveram-se, ao que o PÚBLICO apurou junto de uma funcionária, os horários habituais, e até o já célebre emplastro das transmissões televisivas se apresentou ao serviço, interagindo com a reportagem.

Nos autocarros da STCP, desde ontem que passavam avisos da perturbação que hoje se fará sentir. Depois da meia-noite, porém, ainda se viam muitas viaturas a circular, ainda que, das 14 carreiras que funcionam habitualmente durante a madrugada, apenas três estivessem a operar.

“A greve vai ser foleira por causa dos serviços mínimos de 50%. Mas é o Governo que temos”, disse ao PÚBLICO um motorista que se preparava para efectuar o último trajecto do dia, já depois da meia-noite. “Podia já não fazer este serviço, mas vou fazer”, acrescentou.

Nas estações de recolha da STCP, em Francos e na Via Norte, não havia ainda, às primeiras horas da paralisação, piquetes de greve, mas já se viam as viaturas da PSP ali colocadas de prevenção. Em Francos, o PÚBLICO viu uma carrinha com vários elementos do Corpo de Intervenção, que abandonou o local pouco depois.

“É incompreensível, não vejo qual é a necessidade disto”, lamentou Fernando Oliveira, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte, segundo o qual os efeitos da paralisação só se deverão fazer sentir mais intensamente a partir das 4h, quando começam a sair as primeiras carreiras.

Está prevista, aliás, a presença de piquetes de greve a partir dessa hora, mas aquele responsável garantiu que não será usada a força para impedir a saída de nenhum autocarro, apesar de o sindicato considerar “ilegais” os serviços mínimos estabelecidos. “Creio que os trabalhadores estão ganhos para a greve, ainda que se apresentem para fazer os serviços mínimos a fim de evitar eventuais processos disciplinares”, disse Fernando Oliveira ao PÚBLICO.

No Hospital de Santo António, os serviços mínimos estão a ser assegurados na Urgência, embora vários funcionários ostentem autocolantes alusivos à paralisação, mostrando, assim, solidariedade com a greve. “À noite não temos hipótese, temos mesmo que trabalhar. Mas os médicos já disseram que só se atendem os casos que forem mesmo muito urgentes”, disse ao PÚBLICO um funcionário durante uma pausa para um cigarro à porta do hospital. “Mas a noite está a ser calma. Hoje houve futebol e, nestes dias, as coisas são sempre mais calmas”, acrescentou.

O chefe de serviço recusou, ainda assim, prestar declarações ao PÚBLICO, remetendo todas as informações sobre a adesão à greve para um comunicado que o conselho de administração fará esta manhã. “Os médicos já nos disseram que só se atendem os casos que forem muito urgentes”, explicou um funcionário.

No sector da limpeza urbana, já quase totalmente concessionado a empresas privadas, as viaturas de recolha de lixo pareciam estar a funcionar normalmente, ainda que, apurou o PÚBLICO, alguns serviços não estivessem a ser efectuados. Também os serviços de varrimento mecânico e manual estavam a operar com aparente normalidade.

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