Groundforce precisa de 12 milhões para evitar encerramento total 
11.11.2010 - 08:00 Por Raquel Almeida Correia
Trabalhadores reúnem-se hoje em plenário para decidir formas de luta
(Rui Gaudêncio/ arquivo)Foi com "frustração" que Fernando Melo, administrador da Groundforce, se dirigiu ontem, por escrito, aos trabalhadores para anunciar o encerramento da base de Faro e o despedimento de 336 pessoas.
Uma decisão que vai reduzir os custos da empresa de handling, mas que não garante a sua continuidade. Para que isso aconteça, o gestor vai ter de conseguir chegar a acordo com os sindicatos para alterar regras laborais e, com isso, poupar 12 milhões de euros.
Fernando Melo explicou ontem que "não havia alternativa" ao encerramento da operação de Faro, uma vez que os custos que lhe estão associados não compensam as receitas. Na primeira metade do ano, a operação está com prejuízos superiores a oito milhões de euros, o que corresponde a 66 por cento das perdas totais da Groundforce (12,2 milhões).
Foi este valor e o facto de a operadora de handling, detida pela TAP, prever que vai fechar o ano com prejuízos de 20 milhões que impulsionaram o fecho da base em Faro, onde, de acordo com o administrador delegado da empresa, "há um sobredimensionamento" de trabalhadores.
Esta situação não é alheia ao facto de o aeroporto de Faro atrair muitas companhias low-cost, que trabalham com a concorrente da Groundforce, a Portway (também detida pelo Estado, através da gestora aeroportuária ANA). A empresa de Fernando Melo tem tido dificuldades em manter preços competitivos por causa dos custos elevados, cobrando, de acordo com o gestor, "cerca de 1400 euros aos clientes por cada rotação", no caso dos aviões A320. Os preços da concorrência rondam os 700 euros.
Estas adversidades, às quais se soma a crise económica, fizeram com que a Groundforce fosse acumulando prejuízos nos últimos anos. Uma situação que Fernando Melo diz ser obrigado, agora, a alterar, por pressão do Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC). O regulador pediu à empresa que apresentasse "um plano de reestruturação que garanta a viabilidade", avançou o gestor. Se não o fizesse, arriscar-se-ia a perder as licenças para operar nos aeroportos, que vão ser renovadas, em 2011.
Este é um dos argumentos para avançar com o despedimento de 336 pessoas. "Esta medida é para salvar dois mil postos de trabalho", afirmou o gestor, avisando que, mesmo com o encerramento da base de Faro, a continuidade está dependente de um acordo com os sindicatos.
Despedir os trabalhadores vai custar 11 milhões de euros, mas haverá poupanças de 12 milhões se Fernando Melo conseguir retirar algumas regalias do actual Acordo de Empresa, nomeadamente "a obrigatoriedade de progressão salarial", referiu. Negociações que já decorrem há dois anos, sem sucesso. Este deverá ser um dos temas em debate, na audição de Fernando Pinto, presidente da TAP, no Parlamento, agendada para dia 30.


