Investimento de 600 mil milhões de dólares em dívida pública dividiu a Reserva Federal 
24.11.2010 - 09:18 Por Lusa
Os dirigentes da Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos dividiram-se sobre os benefícios e riscos da injecção de 600 mil milhões de dólares na economia, apesar de a aprovarem, revelam as actas da reunião.
Apesar da votação do estímulo à economia ter sido favorável, por 10 votos contra 1, as minutas da reunião de 02 e 03 de Novembro, realizada à porta fechada, mostram que alguns dirigentes do banco central norte-americano tinham reservas quanto à promoção de uma segunda ronda de estímulos.
As minutas também revelam que a Fed realizou uma rara videoconferência a 15 de Outubro para discutir a sua estratégia de comunicação.
Neste anterior e desconhecido encontro, os dirigentes da Fed consideraram a utilidade de o presidente da Reserva Federal, Ben Bernanke, manter encontros ocasionais com a imprensa para fornecer informação mais detalhada e explicações sobre a actuação da instituição, mas não tomaram uma decisão.
Durante a reunião de Outubro também foi discutida a adopção de um objectivo explícito de inflação, que foi rejeitada.
A taxa de inflação tem estado abaixo da zona de conforto da Fed, situada entre 1,5 e 2 por cento, o que tem alimentado receios de deflação, que significam uma queda prolongada - e perigosa -- nos preços, salários e valores de activos, como imobiliário ou acções.
Ao discutirem o programa de compra de títulos de dívida pública, na reunião de 03 de Novembro, alguns dirigentes defenderam que estas compras adicionais teriam um efeito limitado em estimular a economia.
Com esta compra de títulos de dívida, a Fed pretende revigorar a economia através da baixa da taxa de juro, da subida das cotações das acções e do encorajamento do consumo.
Outros participantes na reunião preocuparam-se com os riscos do programa, em particular a inflação ou uma desvalorização desestabilizadora no valor do dólar.
No fim, Bernanke convenceu todos menos um dos participantes a apoiar o plano.
A decisão de comprar títulos de dívida pública no valor de 600 mil milhões de dólares ao longo de oito meses provocou uma série de críticas, interna e externamente.
Economistas e congressistas republicanos criticaram a decisão por poder provocar inflação e acusaram a Fed de estar a imprimir dinheiro para pagar a dívida vultosa norte-americana.
Na frente internacional, China, Brasil, Alemanha e outros países criticaram a decisão por conduzir à desvalorização do dólar, o que favorece os exportadores norte-americanos sobre os seus rivais.


