Jerónimo de Sousa: adesão à greve é a derrota do "conformismo e da resignação" 
24.11.2010 - 12:05 Por Lusa
A adesão dos trabalhadores portugueses à greve geral de hoje representa a derrota do "conformismo e da resignação", afirmou esta manhã o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
O líder comunista falava aos jornalistas depois de visitar dois piquetes de greve instalados à porta do edifício da Segurança Social do Areeiro e, ao lado, à entrada do call-center da PT.
“A greve geral é demonstrativa de que os trabalhadores portugueses conseguiram derrotar a ideia do não vale a pena, do conformismo e da resignação. Essa é a primeira vitória da greve geral”, disse Jerónimo de Sousa.
O secretário-geral do PCP, acompanhado do candidato presidencial do partido, Francisco Lopes, considerou que o primeiro balanço da greve geral aponta para uma adesão elevada, com vários sectores paralisados ou quase paralisados.
Entre outros destacou os transportes, a recolha do lixo, empresas como a AutoEuropa e os Estaleiros de Viana, referindo que a própria Segurança Social do Areeiro, “um universo de 500 trabalhadores”, não conseguiu abrir as portas hoje.
"Declaração de guerra à classe política"
Considerando a greve uma “declaração de guerra à classe política”, o secretário-geral do PCP referiu-se ainda ao facto de o piquete informativo instalado à frente do escritório da PT ser formado, maioritariamente, por jovens.
“É um sinal importante ter jovens, em situações precárias no call-center e que estão no piquete de greve, que pela primeira vez na vida fizeram greve, correndo grande risco”, afirmou.
Recordando a primeira greve geral em Portugal, em 1988, Jerónimo de Sousa considerou que “hoje o país está pior” e a “andar para trás com situações de pobreza e injustiças que se acentuam”.
Francisco Lopes: "Ofensiva sem precedentes que promove a precariedade"
Já Francisco Lopes classificou a greve de hoje com uma “poderosa manifestação da voz do trabalho e dos trabalhadores”. Uma acção, disse, “que se justifica inteiramente face à gravidade da situação do país, perante uma ofensiva sem precedentes que promove a precariedade, os baixos salários, cortes nos apoios sociais, as perspectivas das novas gerações”.
Medidas essas, considerou, que “atingem os mais idosos e empurram cada vez mais trabalhadores para maiores dificuldades, para o empobrecimento”.
A CGTP e a UGT realizam hoje uma greve geral conjunta contra as medidas de austeridade, anunciadas pelo Governo em Setembro, que têm como objectivo consolidar as contas públicas, entre as quais os cortes de salários dos trabalhadores do Estado, o congelamento das pensões em 2011 e o aumento do IVA. Esta é a segunda greve geral marcada pelas duas centrais sindicais - a primeira realizou-se há 22 anos contra o pacote laboral.


