Joseph Stiglitz: fundo de estabilização do euro é “um paliativo temporário” 
05.01.2011 - 13:13 Por AFP, PÚBLICO
Stiglitz diz que a austeridade vai atrasar a saída da crise
(Nuno Ferreira Santos/ arquivo)O fundo de apoio à estabilidade da zona euro decidido pelos países da zona euro “apesar de essencial (…) é apenas um paliativo temporário para os pequenos países atacados”, disse o prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz numa entrevista publicada hoje no jornal francês Libération.
Este fundo deve prolongar para além de 2013 o actual Fundo Europeu de Estabilização do Financeira (FEEF), instituído em Maio na sequência da crise grega e dotado de 750 mil milhões de euros, que já serviu para apoiar a Irlanda (a apoio à Grécia foi ao abrigo de uma medida específica). Mesmo assim, “permanece o perigo” para a zona euro, segundo Stiglitz.
“Continua a haver a mesma incerteza de há seis meses. Já então se sabia que a Irlanda iria sofrer uma crise violenta. Sabia-se que deveriam ser realizadas reformas indispensáveis à viabilidade da zona euro a longo prazo”, acrescentou.
E apesar de “a Espanha ter tido a sorte de entrar na crise com um excedente orçamental e um baixo peso percentual da dívida” em relação ao PIB e de a Itália, “muito endividada, ter podido limitar o seu défice orçamental”, a situação “continua precária”, diz este economista norte-americano, professor na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.
Para Stiglitz, “se a Europa se enfraquecer ainda mais, o garrote vai apertar. E a ansiedade aumentará” em relação à capacidade dos países atacados para honrarem as suas dívidas.
Ora, argumenta, “a via da austeridade escolhida pela Europa, sob pressão dos mercados, vai atrasar a saída da crise, enfraquecer os elos mais vulneráveis da zona euro e da União Europeia”.
Segundo este economista, que foi conselheiro do antigo Presidente dos EUA Bill Clinton e é conhecido pela sua visão crítica da actual globalização comercial e financeira, “a ideologia do livre mercado, que permitiu as bolhas financeiras, ata as mãos aos políticos”.
“Muitos líderes europeus não compreenderam que era preciso atacarem a regulação do sistema e voltar a pôr a energia do sistema financeiro, que não sabe nada sobre a economia, no que ele deve fazer”, afirma ainda.
E avisa: “O euro, por falta de políticas adequadas e de instituições equilibradas (…) pode desaparecer”.


