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Taxa a cinco anos perto de 8,5

Juros a dez anos com novo recorde a roçar os oito por cento

24.03.2011 - 10:04 Por Paulo Miguel Madeira

<p>O Estado deverá ter dificuldades crescentes quando quiser financiar-se</p>

O Estado deverá ter dificuldades crescentes quando quiser financiar-se

 (Daniel Rocha (arquivo))
Os juros da dívida pública portuguesa continuavam hoje a subir e a bater recordes nos mercados secundários, roçando os oito por cento para as obrigações a dez anos, os 8,5 por cento a cinco anos e os sete por cento a dois anos.

Os juros implícitos a cinco e a dois anos eram os que mais subiam, estando em respectivamente 8,488 e 6,948, por volta das 9h30 (segundo dados da agência Reuters), face a 8,230 e 6,716 ao fim do dia de ontem, e fixando assim novos máximos desde a existência do euro. A taxa a um ano mantinha-se relativamente estável, em 4,969 por cento.

Esta continuação da escalada dos juros das transacções (ou meras intenções de negócios) registadas nos mercados secundários sucede-se à demissão do Governo português, que fica agora apenas em gestão, e acontece quando grande parte da imprensa internacional fala na iminência da necessidade de assistência financeira externa ao país.

A taxa implícita a dez anos chegou aos 7,985 por cento às 9h16, mas depois recuou ligeiramente, para 7,931 por cento às 9h25. O diferencial face às obrigações equivalentes alemãs ia em 477,3 pontos base, e era de 568,9 nas obrigações a cinco anos, o que constituía um novo máximo desde que há euro nos registos disponibilizados pela agência Reuters.

As taxas a dez anos estão há mais de mês e meio (desde 4 de Fevereiro) acima do limiar psicológico dos sete por cento que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, disse no ano passado poder justificar um pedido de ajuda externa. No prazo a cinco anos, superam esse valor há mais de um mês (desde 18 de Fevereiro).

A inversão de taxas – situação em que uma taxa a um prazo mais curto é maior do que a de um prazo mais longo, ao contrário do que é normal – aconteceu em relação à Grécia e à Irlanda pouco antes de pediram ajuda financeira externa à União Europeia e ao FMI.

O BCE tem intervindo nos mercados secundários nos últimos meses para impedir uma escalada dos juros portugueses, mas ontem a agência Bloomberg noticiou ele tinha discretamente deixado de comprar obrigações no mercado, o que poderia indiciar que Portugal estava prestes a receber ajuda externa.

As taxas de juro que as agências Reuters e Bloomberg divulgam para os juros implícitos nos mercados secundários resultam de indicações dadas por operadores importantes destes títulos, sobretudo grandes bancos, e podem corresponder quer a transacções realizadas quer a intenções, que poderão não se concretizar. Por este motivo, são muito vulneráveis à especulação, mas são importantes para a formação dos juros que o Estado paga nas emissões directas.

As subidas que se têm registado nos últimos dias tornam mais penosas as condições em que o IGCP (que gere a dívida pública portuguesa) poderá ir financiar-se nos mercados, quando quiser leiloar ou fazer colocações directas de títulos de dívida.

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O verdadeiro problema é a cabeça do Zé povinho

O problema é que estes rapazólas que têm estado á frente dos governos portugueses a seguir ao ...

jorge

26.03.2011 16:11