Juros da dívida a dez anos disparam e superam os sete por cento 
06.01.2011 - 14:37 Por Luísa Pinto, Paulo Miguel Madeira
As taxas de juro da dívida pública a dez anos dispararam hoje nos mercados secundários, estando, pelas 16H20, nos 7,06 por cento, de acordo com a Reuters. Isto no dia em que o IGCP anunciou o primeiro leilão de Obrigações do Tesouro do ano.
As Obrigações do Tesouro a dez anos estavam a ser transaccionadas nos mercados secundários com uma taxa de juro implícita de 7,06 por cento e uma margem (spread) de 391 pontos-base face às suas equivalentes alemãs, segundo os dados disponibilizados pela agência Reuters.
Os juros da dívida pública continuaram logo de manhã com a tendência de subida que apresentam desde o início deste ano, estando em 6,852 por cento às 9h50, mas dispararam por volta do meio-dia e meia. Ontem tinham encerrado a sessão em 6,795 por cento, a subir face a terça-feira. No dia 31 fecharam em 6,682 por cento.
Esta forte subida ocorre no mesmo dia em que o Instituto de Gestão de Crédito Público (IGCP), que gere a dívida pública portuguesa, anunciou a realização do primeiro leilão de Obrigações do Tesouro do ano, a realizar no próximo dia 12 de Janeiro. Este será o primeiro teste do Estado português na emissão de divida de médio e longo prazo.
O IGCP pretende colocar entre 750 milhões e 1250 milhões de euros em duas linhas: uma a vencer em Outubro de 2014, e outra a ser paga em Junho de 2020.
Ontem, o Estado pagou 3,686 por cento para colocar 500 milhões de euros em Obrigações do Tesouro a seis meses, o que é mais de seis vezes os 0,592 por cento pagos há precisamente um ano e mais 80 por cento do que em Setembro, na emissão semelhante precedente.
A operação de ontem, que pagou juros recorde para aquele prazo desde que existe o euro, foi a primeira uma série de emissões decisivas para aferir a opinião dos mercados relativamente à situação das finanças públicas do país, e que se correrem mal podem determinar a necessidade de recurso a ajuda externa da UE e do FMI.
A procura foi mais do dobro da oferta, mas, por ser de um montante relativamente pequeno e de curto prazo, não se trata de uma operação tão decisiva como as emissões de Obrigações do Tesouro que o IGCP (o instituto que gere a dívida pública) terá de fazer nos próximos meses.
De acordo com o plano anunciado no final do ano passado pelo IGCP (que gere a dívida do Estado), Portugal deverá fazer entre 13 e 15 novos leilões de obrigações e bilhetes de tesouro no trimestre em curso, num valor que deverá superar os 10 mil milhões de euros. Estas operações serão decisivas para aferir a opinião dos mercados relativamente à situação das finanças públicas do país e se correrem mal podem determinar a necessidade de recurso a ajuda externa da UE e do FMI.
Os juros da dívida pública portuguesa atingiram um máximo histórico desde que existe euro no dia 11 de Novembro, em 7,357 por cento, no auge do que ficou conhecido como a crise de Outono da dívida pública europeia.
Após algumas oscilações em torno do patamar dos sete por cento (nível que o ministro das Finanças disse poder justificar um pedido de ajuda externa), caíram abruptamente no fim desse mês, até 6,064 no dia 3 de Dezembro, ao saber-se que o BCE ia prolongar medidas excepcionais de auxílio á liquidez da banca. Mas desde então reiniciaram uma subida quase continuada.
As taxas de referência para Espanha, que juntamente com Portugal tem sido apontada como provavelmente necessitando de ajuda financeira externa proximamente, estavam hoje a subir, para 5,387 por cento também pouco depois das 14h, quando ontem tinham terminado a sessão em 5,334 por cento.


