Juros da dívida a dez anos retomaram subida e passaram 6,8 por cento 
27.12.2010 - 15:16 Por Paulo Miguel Madeira
É um "problema ouvir tantas opiniões durante a crise”, disse Barroso
(Francois Lenoir/ Reuters/ arquivo)Os juros da dívida pública portuguesa retomaram hoje a tendência de subida que se regista desde há três semanas, estando em 6,805 por cento às 14h35 para as obrigações a dez anos, o que não acontecia desde dia 1.
Na sequência da crise da dívida pública que se iniciou nos países da periferia da zona euro, as taxas de juro das obrigações a de anos atingiram um máximo histórico nos 7,357 por cento a 11 de Novembro, tendo-se mantido em torno ou acima dos sete por cento até 29 de Novembro, quando o BCE anunciou que ia continuar a comprar dívida pública e a ajudar a liquidez dos bancos.
Durante alguns dias, desceram a pique, para 6,064 por cento no dia 3 deste mês. Após algumas oscilações, recomeçaram no dia 7 uma tendência de subida, interrompida de quando em quando, como na sexta-feira, em que tiveram uma ligeira queda para 6,752 por cento.
Hoje voltaram a subir, e segundo a agência Reuters, cujos dados são a fonte do PÚBLICO, a margem (spread) face às obrigações equivalentes alemãs estava em 384,1 pontos-base, o valor do fecho de sexta-feira. Aparentemente, a intervenção do BCE nos mercados não consegue impedir de momento a descrença dos investidores.
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, considerou hoje numa entrevista ao jornal De Morgen citada pela Lusa, que a “cacofonia de mensagens” ameaça minar a confiança na capacidade dos governos europeus lidarem com a crise da dívida soberana.
Barroso apelou aos líderes governamentais para falarem menos, afirmando que “é, realmente, um problema ouvir tantas opiniões durante a crise” e deixou um apelo: “Apelo aos líderes políticos para estarem mais calados e deixarem os comentários para os comentadores, e perceberem que os mercados financeiros estão a ouvir”.
Espanha também com juros elevados
Depois da intervenção de ajuda financeira externa na Irlanda, ao abrigo do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira da UE, com o FMI acoplado, Portugal tem sido visto como o país com mais probabilidade de vir a ter de recorrer ao mesmo mecanismo, sendo o país da zona euro com juros mais elevados nos mercados – à excepção da Grécia e da Irlanda, cuja ajuda externa dispensa que tenham de se financiar deste modo.
A Espanha também tem sido vista como podendo necessitar de ajuda externa, pois os seus juros estão também aos níveis mais elevados desde o ano 2000, no início da moeda única, quando ainda não circulavam notas e moedas de euro. A taxa das obrigações espanholas estava em 5,506 por cento pouco depois das 14h30, a subir face a sexta-feira.
As taxas espanholas, que não desceram tanto como as portuguesas após o anúncio do BCE no final do mês passado, estão assim a um nível muito próximo dos 5,575 por cento que marcaram a 30 de Novembro um o máximo histórico desta crise.
A ajuda à Grécia tem uma taxa de juro média de cinco por cento e à Irlanda de 5,7 por cento.


