Juros da dívida a dois anos aproximam-se do valor a dez anos 
31.03.2011 - 11:43 Por Paulo Miguel Madeira
As taxas implícitas da dívida pública portuguesa continuavam hoje a subir e a bater novos recordes nos mercados secundários, com as dos títulos a dois anos a aproximarem-se das das obrigações a dez anos, prenunciando uma nova inversão.
Depois de a taxa das obrigações a cinco anos ter passado a das obrigações a dez anos (a referência do mercado) e estar já claramente acima dos nove por cento (9,179 às 11h12 segundo dados da agência Reuters), as taxas para os prazos mais curtos começaram a disparar, indiciando uma possível ultrapassagem das taxas nos prazos mais longos – situação que é conhecida como “inversão”, por a situação normal ser a de as taxas para os prazos mais curtos serem inferiores às dos prazos mais longos.
A taxa a um ano, que ontem tinha disparado e chegado ao fim do dia em 7,236 por cento, estava hoje em 7,511 por cento perto das 11h15, indiciando um forte aumento do receio de um incumprimento das obrigações financeiras do Estado português a curto prazo. Ainda na segunda-feira chegara ao fim do dia em 6,4 por cento.
A taxa a dois anos, que disparou já na semana passada, batia um novo recorde desde que há euro, em 8,261 por cento por volta da mesma hora (8,06 no fecho de ontem), a colar-se já ao valor da taxa a dez anos, que era então de 8,38 por cento (8,224 ontem), também um novo recorde.
As taxas de juro que as agências Reuters e Bloomberg divulgam para os juros implícitos nos mercados secundários resultam de indicações dadas por operadores importantes destes títulos, sobretudo grandes bancos, e podem corresponder quer a transacções realizadas quer a intenções, que poderão não se concretizar.
Por este motivo, são muito vulneráveis à especulação, mas são importantes para a formação dos juros que o Estado paga nas emissões directas, podendo inclusive revelar uma situação em que o Estado não consiga obter financiamento no mercado.


