Juros da dívida batem novos máximos e taxas a três anos já superam os 19% 
06.07.2011 - 20:23 Por Pedro Crisóstomo
Portugal fez hoje uma emissão de dívida abaixo do valor esperado
(Pedro Cunha)O corte da nota de risco da dívida portuguesa pela agência Moody's arrastou os países periféricos da zona euro para fortes subidas nos mercados secundários. Os juros da dívida portuguesa continuam a registar novos máximos em todas as principais maturidades. As obrigações a três anos já passam os 19 por cento.
Ao início da noite desta quarta-feira, os investidores exigiam 19,142 por cento de juros sobre as transacções (ou intenções de transacções) das Obrigações de Tesouro que vencem daqui a três anos.
Ao ultrapassarem esta barreira, as taxas de juro registadas nos mercados de recompra de dívida subiram mais de cinco pontos percentuais em relação a ontem, quando estavam nos 14,069 por cento.
De acordo com os dados do terminal da Reuters, a maior subida foi observada nesta maturidade e, à excepção da taxa de referência (a de dez anos), as restantes principais taxas cresceram acima de três pontos percentuais.
As fortes subidas para os níveis mais altos desde a criação da moeda única acontecem num dia com duplo significado negativo para Portugal.
Por um lado, os mercados reagiram ao corte comunicado ontem pela agência norte-americana Moody’s, que colocou a dívida portuguesa num patamar considerado lixo por considerar que Portugal arrisca percorrer o mesmo difícil caminho do que a Grécia para resolver o problema da sua dívida soberana. E isso foi visível a partir do meio da tarde de ontem, acentuando, durante a madrugada, uma escalada que ao longo do dia se tornou evidente.
Por outro, as subidas coincidem com a emissão de dívida do Estado, que acabou por confirmar, nest cenário, a esperada subida dos juros sobre um empréstimo a três meses e abaixo do valor pretendido.
Nos mercados secundários, as Obrigações do Tesouro a dois anos dispararam para 17,88 por cento (estavam ontem nos 13,511 por cento) e para esse limiar caminham os juros a cinco anos, que, ao escalarem 3,521 pontos percentuais, estão agora nos 16,611 por cento.
Apesar de uma subida mais modesta comparada com as restantes subidas do dia, os juros a dez anos bateram também um novo recorde histórico desde que existe o euro.
Não só chegaram aos 13,062 por cento – ultrapassadas pelas maturidades de cinco, dois e três anos (o que não é uma novidade) – como encurtaram a distância em relação às maturidades de um ano (ontem, a diferença era de 2,392 pontos percentuais, hoje, não chegava a um ponto percentual).
Nos periféricos da zona euro – os mais penalizados nos mercados secundários – Itália, Grécia e Espanha registavam subidas nos principais prazos. Mas nenhum destes dois últimos países batiam recordes, como sucede com Portugal.


