Juros da dívida espanhola continuam a subir acima de cinco por cento 
26.11.2010 - 11:48 Por Paulo Miguel Madeira
As taxas de juro e as margens das obrigações espanholas continuavam hoje a subir nos mercados secundários, atingindo novos máximos, enquanto as portuguesas se mantinham estáveis acima dos sete por cento.
As taxas de juro espanholas aproximavam-se dos 5,3 por cento às 11h20, estando em 5,272 por cento, segundo a agência Reuters, o que constitui um novo máximo desde 2002. Ontem tinham fechado em 5,220 por cento, que era também um novo máximo desde há mais de oito anos.
A margem (spread) face às obrigações alemãs estava em 258,9 pontos-base à mesma hora, um novo máximo desde que a Reuters apresenta registo, depois de ontem ter fechado o dia em 255,4 pontos-base. Quer as taxas de juro da dívida de Espanha a dez anos quer a margem face às obrigações alemãs equivalentes têm estado a subir continuadamente desde o início da semana.
Com os juros portugueses estabilizados nos últimos dias um pouco acima dos sete por cento (7,142 por cento às 11h15 de hoje, o mesmo valor do fecho de ontem), a Espanha surge agora como uma nova preocupação central nos mercados de dívida pública, depois de a Irlanda ter aceite ajuda do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira e do FMI e de se dar como quase certo que Portugal acabará por recorrer ao mesmo mecanismo.
Se a tendência de subida dos juros de Espanha nos mercados secundários se prolongar, o país poderá ter dificuldade em endividar-se nos mercados. Na sua última emissão de curto prazo, na terça-feira, os juros quase duplicaram face ao mês anterior e não foi colocado todo o montante pretendido. Cinco por cento é quanto a ajuda europeia e d o FMI cobra em juros, um valor considerado dissuasor pelo presidente do FEEF, Klaus Regling.
O presidente do banco central alemão, Axel Weber já veio dizer que os governos europeus podem ampliar a dimensão do FEEF, se isso se revelar necessário para restaurar a confiança no euro.
Actualmente, o este mecanismo, com o FMI associado, tem uma dotação de 750 mil milhões de euros, dos quais cerca de 200 mil milhões estão já comprometidos com a ajuda à Grécia (110 mil milhões) e à Irlanda (perto de cem mil milhões).
Klaus Regling disse por seu lado ao diário alemão Bild de ontem que ele é “suficientemente grande para toda a gente”, e excluindo a hipótese de a França e a Itália serem ameaçadas pelos mercados de dívida pública, mas não excluiu o contágio a Espanha ou Portugal.


