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Sócrates diz que não há justificação para subida dos juros da dívida

Obrigações do Tesouro em alta

Juros da dívida nacional batem recorde histórico

04.11.2010 - 10:54 Por Ana Rita Faria

<p>No dia seguinte à aprovação do OE, os mercados continuaram a penalizar a dívida pública nacional</p>

No dia seguinte à aprovação do OE, os mercados continuaram a penalizar a dívida pública nacional

 (Foto: Sara Matos/arquivo)
Os juros das obrigações do Tesouro português a dez anos estão a negociar nos 6,75 por cento, acima daquele que era até agora o máximo histórico (6,63 por cento) registado no final de Setembro.

No dia seguinte à aprovação do Orçamento do Estado para 2011, os mercados internacionais continuaram a penalizar a dívida pública nacional, encarecendo os custos a que o Estado se financia e acompanhando a tendência de subida que está a atingir também outros países da Europa.

Depois de, por volta das 11h30, terem ultrapassado o recorde registado no dia 28 de Setembro, os juros das obrigações portuguesas a dez anos estavam a negociar nos 6,756 por cento por volta das 16 horas. O spread, ou seja, a diferença em relação às obrigações alemãs, que são a referência para os investidores, está nos 435,4 pontos base.

Esta evolução da dívida nacional está a acompanhar a tendência de subida nos outros países da zona euro com problemas de dívida. Na Irlanda, as obrigações do Tesouro a dez anos têm batido recordes nos últimos dias e estão a negociar hoje a meio da tarde nos 7,817 por cento, acima do juro cobrado à dívida portuguesa. O mesmo acontece na Grécia (11,354 por cento). Em Espanha, os juros mantém-se em subida, mas continuam em níveis bastante inferiores aos de Portugal (4,35 por cento). As próprias obrigações alemãs não estão a escapar à tendência de subida, com os juros a aumentarem hoje para os 2,4 por cento.

No dia 28 de Setembro, os juros da dívida pública nacional bateram um recorde de 6,63 por cento, o que levou o Governo a apresentar novas medidas de austeridade logo no dia seguinte, como a subida do IVA para 23 por cento e um corte de cinco por cento na massa salarial da função pública. Essas medidas estão inscritas no Orçamento do Estado para 2011 ontem aprovado no Parlamento, mas, aparentemente, não surtiram ainda o efeito de acalmar os investidores e a dívida voltou hoje a bater novo máximo histórico.

A ajudar à escalada dos juros da dívida poderá estar a decisão tomada ontem pela Reserva Federal norte-americana de lançar novos estímulos à economia dos EUA, através de um novo programa de compra de obrigações. Isto poderá estar a levar os investidores a mostrar um maior apetite pelo risco.

Notícia actualizada às 16h12