Portugal foi ontem buscar ao mercado 1280 milhões de euros. A procura superou a oferta, numa altura em que os juros a que a dívida pública portuguesa é transaccionada no mercado continuam em queda, ao contrário do que acontece, por exemplo, com a Espanha ou a Grécia.
O Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) colocou ontem 600 milhões de euros em obrigações do Tesouro com maturidade em 2014 e 681 milhões de euros em títulos que expiram em 2023.
Portugal esperava vender apenas entre 750 e 1250 milhões de euros de dívida, mas a procura revelou-se maior.
No leilão da dívida com menor maturidade, a procura excedeu mesmo em 3,1 vezes a oferta e a taxa de juro paga foi de 3,621 por cento, acima dos 2,759 por cento conseguidos numa emissão semelhante realizada em Novembro do ano passado.
Nos títulos a 13 anos, a procura foi 1,6 vezes superior à oferta e os juros ficaram também acima dos da última emissão do género: 5,377 por cento, acima dos 4,416 da emissão de Janeiro.
Desde segunda-feira, os juros da dívida portuguesa têm vindo a cair nos mercados, reflectindo uma maior confiança dos investidores na sequência da publicação dos testes de stress à banca europeia, onde os quatro principais bancos portugueses - BCP, BPI, Espírito Santo Financial Group e Caixa Geral de Depósitos - tiveram resultados positivos.
Ontem, os juros das obrigações a dez anos acumulavam já uma descida de quase 50 pontos base em relação a segunda-feira, estabilizando nos 5,069 por cento.
Nos títulos a dois anos, os juros regressaram mesmo a níveis que já não tinham desde o final de Abril - 2,502 por cento, menos 68 pontos base face ao início da semana.
Um cenário que não era ontem comum à Espanha e à Grécia, que voltaram a ver os custos da sua dívida aumentar nos mercados.



