Juros da dívida portuguesa já superam os dos gregos quando pediram ajuda 
28.04.2010 - 11:07 Por Paulo Miguel Madeira
As taxas para a dívida grega a dez anos chegaram a atingir 12,5 por cento
(Toru Hanai/Reuters/arquivo)O prémio (spread) exigido pelos investidores para comprarem obrigações da dívida portuguesa em vez da alemã continua a agravar-se e as taxas de juro implícitas sobre a dívida nacional são já superiores às que a Grécia tinha quando pediu ajuda internacional.
O spread da dívida portuguesa a dez anos continua a aumentar na sequência do aumento dos receios de contágio da situação grega, e chegou hoje a atingir 3,3 pontos percentuais (mais de 330 pontos-base), o que é um novo máximo desde a criação do euro.
As taxas de juro implícitas para a dívida portuguesa a dez anos chegaram a atingir 6,28 por cento, tendo apresentado uma tendência de subida durante a manhã, reflectindo também o corte na classificação da qualidade da dívida nacional (rating) de que Portugal foi alvo ontem pela Standar&Poors.
As taxas de juro a que os investidores estão dispostos a comprar dívida pública portuguesa estão hoje acima de cinco por cento em quase todos os prazos, mas as taxas a dois anos estavam a recuar.
Estes valores, apesar de estarem já acima dos que eram cobrados à Grécia quando esta pediu ajuda financeira internacional, são no entanto pouco mais de metade dos praticados hoje nas transacções com títulos da dívida grega.
As taxas para a dívida grega a dez anos chegaram a atingir 12,5 por cento perto das 11h de Lisboa, o que nunca tinha acontecido na zona euro, quando cerca das 8h15 estavam em 10,149 por cento, e ontem ao fim do dia em 9,730. O diferencial (spread) face às taxas para os títulos alemães equivalentes chegaram a atingir quase dez pontos percentuais (mil pontos base).


