Ao fim de três dias de forte subida, chegando as yields dos títulos públicos a tocar a fasquia dos oito por cento, os juros das obrigações soberanas portuguesas com maturidade de cinco anos estão hoje a recuar e negoceiam-se a 7,919 por cento (queda de 3,4 pontos base).
Já as yields da dívida pública a 10 anos estão a deslizar para 7,65 por cento (menos 0,5 pontos base), enquanto nos prazos mais curtos, a dois anos, a queda dos juros é de 1,3 pontos, para 6,439 por cento.
A melhoria das condições de financiamento do Estado não será alheia à divulgação dos dados sobre a Execução Orçamental de Fevereiro: nos primeiros dois meses do ano, a receita efectiva cresceu 10 por cento e a despesa caiu 3,6 por cento. Já os custos com pessoal, em resultado da descida dos vencimentos da função pública, tombaram 5,3 por cento.
Apesar do preço a que o Estado se pode financiar nos mercados não se estar a agravar, com os juros a deslizarem ao fim de três dias de alta, a instabilidade política que se vive em Portugal, com a oposição ao Governo a manifestar vontade de chumbar as medidas de austeridade apresentadas, no quadro do PEC IV, continua a suscitar receio aos investidores. Os mercados temem que, caso as medidas sejam chumbadas, Portugal não cumpra as metas projectadas para o défice público (4,5 por cento em 2011, três por cento em 2012 e dois por cento em 2013).



