Juros da dívida pública com novos recordes nos mercados secundários 
23.03.2011 - 09:45 Por Paulo Miguel Madeira
O limiar dos sete por cento foi superado há mais de um mês
(Daniel Rocha (arquivo))As taxas de juro implícitas dos títulos de dívida portuguesa têm estado toda a manhã a subir significativamente nos principais prazos nos mercados secundários, batendo novos recordes, num cenário de iminência de queda do Governo e de ajuda externa a curto prazo.
Os novos recordes evidenciam-se em todos os prazos principais - dois, três, cinco e dez anos.
De acordo com a informação da agência Reuters, os juros dos títulos a dez anos negociavam, às 12h30, nos 7,8 por cento, um novo recorde, pelo menos desde a criação do euro. Às 19h01 estavam ligeiramente abaixo, nos 7,769 por cento.
Ontem os juros a dez anos (prazo de referência nos mercados) tinham ficado em 7,687 por cento.
No prazo a cinco anos, a taxa implícita registada na Reuters era, por volta das 12h30, de 8,24 por cento (face a 8,033 por cento no fecho de ontem), o que constituía um novo recorde desde que existe moeda única, sendo preciso remontar a 1996 para encontrar um valor igual. Já às 19h01 estavam nos 8,159 por cento.
A taxa a dois anos também voltou a estabelecer um novo recorde à mesma hora, em 6,72 por cento, depois de ontem ter ficado em 6,781 por cento. No prazo a três anos, os juros dispararam também para 7,47 por cento, enquanto a um ano subiam para 4,470.
As taxas a dez anos estão há mais de mês e meio (desde 4 de Fevereiro) acima do limiar psicológico dos sete por cento que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, disse no ano passado poder justificar um pedido de ajuda externa. No prazo a cinco anos, superam esse valor há mais de um mês (desde 18 de Fevereiro).
A inversão de taxas – situação em que uma taxa a um prazo mais curto é maior do que a de um prazo mais longo, ao contrário do que é normal – aconteceu em relação à Grécia e à Irlanda pouco antes de pediram ajuda financeira externa à União Europeia e ao FMI.
A agência Bloomberg noticiou entretanto que o BCE deixou discretamente de comprar obrigações no mercado, o que pode indiciar que Portugal está prestes a receber ajuda externa.
Notícia actualizada às 19H05


