Juros das obrigações a dez anos continuam a bater recordes nos mercados secundários 
20.01.2012 - 12:02 Por Paulo Miguel Madeira
Os juros da dívida pública portuguesa continuavam hoje ao fim da manhã a bater novos recordes da era do euro a dez e a cinco anos, à semelhança do que tem acontecido desde meio da semana. As taxas espanholas também subiam, mas as italianas desciam.
A taxa implícita às transacções com obrigações portuguesas a dez anos subia para 14,754%, um novo máximo desde que existe o euro, segundo dados da agência Reuters. Ontem tinham ficado em 14,224% ao fim do dia, um novo máximo de fecho mas em recuo face a valores mais elevados que se registaram durante a sessão, tal como nos restantes principais prazos.
A taxa implícita a cinco anos subia também nitidamente, para 19,196%, face aos 18,208% do fecho de ontem, atingindo também um novo recorde da era do euro. A taxa implícita a dois anos avançava para 15,516% (14,5% ontem), mas ainda distante do máximo registado em Julho.
Prossegue assim a tendência de depreciação dos títulos de dívida portuguesa nos mercados secundários, depois de o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, ter afirmado ontem que Portugal estaria à beira de um ponto de viragem nos mercados de dívida, na sequência de uma emissão de títulos de curto prazo na quarta-feira com juros em queda e procura sustentada – o que não surpreende dada a liquidez ilimitada que a banca pode obter junto do BCE e o vencimento ser dentro do prazo de assistência financeira da troika.
Os juros das obrigações portuguesas recomeçaram a subir no final da semana passada, coincidindo com a decisão, conhecida na sexta-feira, da agência de notação Standard & Poor's de desclassificar o rating a dívida portuguesa para um nível designado por "lixo" na gíria dos mercados.
Os valores das taxas espanholas também subiam nestes prazos, sendo que a dez anos (prazo de referência nos mercados) avançavam para 5,543%, quando ontem tinham ficado em 5,242%, também segundo dados da Reuters.
Para a Itália a tendência era inversa, com descidas a dez, cinco e dois anos. A taxa implícita para as obrigações italianas a dez anos estava em 6,314%, face a 6,374% no fecho de ontem.


