Juros de Portugal a dez anos voltam a subir e aproximam-se dos sete por cento 
23.11.2010 - 13:41 Por Paulo Miguel Madeira
Os juros a dez anos da dívida portuguesa estão hoje a subir, depois de ontem terem dado sinais de acalmar, e o mesmo como acontece a margem face às obrigações alemãs. Para a Irlanda a tendência é também de subida.
Às 13h95 de hoje os juros da dívida pública portuguesa implícitos nas transacções no mercado secundário estavam em 6,906 por cento, de novo muito próximos do limiar de sete por cento definido como crítico pelo ministro das Finanças, e a subir face ao fecho de ontem, nos 6,798 por cento, segundo a informação da agência Reuters.
Ontem os juros portugueses, bem como as margens (spreads) face às obrigações alemãs, tinham recuado ligeiramente face ao fecho de sexta-feira, que tinham sido respectivamente em 6,951 por cento e 423,7 pontos base, mas hoje esse recuo estava já ultrapassado no que respeita à margem, que às 13h05 tinha subiu para 430,8 pontos, e quase não se notava nos juros.
Estes valores ainda não permitem perceber se o pedido de ajuda financeira da Irlanda à UE e ao FMI vai aliviar um possível efeito contágio da escalada dos juros da dívida pública deste país ao da dívida portuguesa, ou se pelo contrário fará com que as atenções dos mercados se voltem para Portugal pressionando os juros em alta e tornando mais provável a necessidade de ajuda externa.
Os valores de ontem e de hoje dos juros da dívida a dez anos representam oscilações pouco importantes, e estão abaixo do máximo histórico de 7,357 por cento registado pela Reuters no fecho do dia 11 deste mês.
No entanto, a agência Bloomberg considerava hoje de manhã que o plano de resgate da Irlanda pode levar a uma intensificação da crise da dívida soberana da zona euro, em vez de a aliviar, pois os juros da Irlanda, Portugal e Espanha estavam a subir.
A situação que se pode revelar mais complicada é a da Espanha, pela grande dimensão da sua economia à escala europeia, que hoje tinha a margem dos seus juros a dez anos a subir face aos alemães, para um novo máximo, e que vendeu 3,26 mil milhões de euros em obrigações de curto prazo, mas ficando abaixo do limite máximo definido, e a pagar quase o dobro dos juros da última operação semelhante, no mês passado.
No caso da Irlanda, os juros a dez anos estavam às 13h05 em 8,499, subindo face ao fecho de ontem (8,328) e de sexta-feira (8,306%), quando o pedido de ajuda ainda não tinha sido formalizado mas já se sabia que estava a ser negociado, mas estavam bastante abaixo dos 9,243 por cento do pico de 11 de Setembro. O spread tinha um perfil idêntico.


