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"Quando se é do Sul, é-se menos credível"

O FMI está de regresso?

Juros de Portugal ao mesmo nível dos dos gregos quando pediram ajuda

28.04.2010 - 07:23 Por Sérgio Aníbal

O Governo não se cansa de repetir que Portugal não é igual à Grécia, mas o que é certo é que, para os mercados e para as agências de rating, Portugal está pelo menos tão mal como a Grécia estava no final de 2009, o momento em que Atenas se viu forçada a pedir uma ajuda de emergência aos seus parceiros europeus.

Depois do dia de ontem, o diferencial das taxas de juro das obrigações a 10 anos portuguesas face à referência alemã ficou em 2,68 pontos percentuais. Este é um valor que está bastante abaixo dos 6,6 pontos que actualmente se registam na Grécia, mas basta recuarmos até 19 de Janeiro deste ano para encontrarmos as obrigações gregas a um nível semelhante ao que acontece agora em Portugal.

E, algumas semanas antes, quando o spread grego era "apenas" de dois pontos percentuais, já o Governo liderado por George Papandreou pedia aos seus parceiros europeus que disponibilizassem um empréstimo que permitisse ao país financiar-se a taxas mais baixas que as dos mercados, que se estavam a tornar insustentáveis.

Ao nível dos ratings, o cenário é semelhante. Quando surgiu o primeiro pedido de ajuda, a classificação atribuída pela S&P à Grécia era de A-, tendo pouco depois sido colocada a níveis ainda mais baixos. Ontem, a S&P colocou Portugal com um rating A- e deixou a ameaça de novos cortes no futuro.

Quererá isto dizer que Portugal, tal como a Grécia há quatro meses atrás, não terá outra solução que não seja a de recorrer a um empréstimo dos seus parceiros e mesmo do FMI?

A grande questão que se coloca é a de saber até quando é que será sustentável recorrer aos mercados de dívida pública para obter financiamento, quando as taxas de juro exigidas para um empréstimo a dez anos estão acima dos 5,5 por cento. Recorde-se que no plano de ajuda à Grécia delineado pela zona euro e pelo FMI, presidido por Dominique Strauss-Kahn (na foto), a concessão de um empréstimo a três anos poderá ser feita a uma taxa de cerca de cinco por cento. E, assim, se Portugal decidir contribuir para a ajuda à Grécia, vê-se na contingência de ter de se endividar a uma taxa superior à que depois irá receber pelo empréstimo concedido, algo que não acontece com nenhum outro país da zona euro.

Com um calendário de amortização de dívida pública exigente em Maio, as próximas semanas serão decisivas para perceber se Portugal vai poder continuar a assegurar, como até aqui, o financiamento no mercado, ou se irá ter de seguir o mesmo caminho da Grécia: o pedido de ajuda à UE e ao FMI.

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Seguir o caminho da Grécia não resolve nada! Só piora! A única ...

Anónimo

28.04.2010 10:40