Líder do FEEF elogia reformas de Portugal mas alerta para receios dos mercados 
07.02.2012 - 19:04 Por Pedro Crisóstomo
Klaus Regling
(Foto: Luís Manuel Neves/AFP)O trabalho do Governo de Pedro Passos Coelho está a produzir resultados, embora não com o efeito desejado junto dos mercados internacionais. A leitura é feita pelo presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), Klaus Regling, para quem as reformas económicas seguidas indicam que “Portugal está no bom caminho”.
Os mercados, no entanto, “ainda não estão a recompensá-lo”, afirmou hoje numa conferência em Londres, numa altura em que a imprensa internacional levanta dúvidas sobre a capacidade de Portugal voltar a financiar-se no mercado primário emitindo dívida de longo prazo em 2013.
Regling, que o jornal The Wall Street Journal cita, acredita que o país, com “o novo Governo, que foi eleito com um mandato para a mudança”, prossiga com as reformas acordadas com a troika que acompanha o programa de ajustamento.
E defende a aplicação das medidas de rigor orçamental como o caminho para a saída da crise que, observa, está a surtir efeito em Portugal, assim como na Irlanda (país intervencionado) e ainda em Espanha e Itália, onde os Governos adoptaram medidas de austeridade. Uma aproximação implícita da situação portuguesa às destes três países, mais do que à da Grécia, à qual Portugal tem sido comparado na imprensa internacional.
O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que falava hoje aos jornalistas no Palácio das Necessidades, lembrou que Portugal “deve ser tratado como um povo que está a conseguir” ultrapassar as dificuldades, tendo cumprido o objectivo do défice de 5,9% em 2011, cortado na despesa e pedido sacrifícios aos portugueses.
Regling, por seu lado, enquanto líder do fundo de socorro do euro – que suporta a parte europeia do resgate financeiro a Portugal – não aponta um calendário para o regresso de Portugal aos mercados internacionais para a emissão de dívida de médio e longo prazo.
O Memorando de Entendimento prevê que o Estado volte a emitir obrigações com maturidades mais longas a partir de meados do próximo ano.
O Governo tem repetido que sua meta é aquela que foi acordada com a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu, ou seja, 2013. Mas a escalada das taxas de juro de curto prazo no mercado secundário e o agravamento da crise da dívida na Grécia – que está também fora dos mercados – tem levado a imprensa económica internacional a alertar para a possibilidade de Portugal não conseguir voltar, no prazo previsto, a financiar-se a taxas de juro praticáveis no mercado primário.
Referindo-se à situação europeia como um todo, Regling lembra ainda que a zona euro tem em mãos um plano para responder à crise com a possibilidade de mobilizar recursos no valor de um bilião (milhão de milhões) de euros. E recorda que a União conta hoje com “uma nova forma de ajustamento na união monetária” para que os países cumpram à risca o equilíbrio nas suas contas públicas, numa referência ao pacto orçamental aprovado no último Conselho Europeu, a 30 de Janeiro.


