A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou no primeiro semestre uma quebra de lucros superior a 50 por cento, para 105,3 milhões de euros, prejudicada pela redução na margem financeira, no que o banco diz ser o apoio à economia portuguesa.
A descida de 53,69 por cento no resultado líquido (lucro) no primeiro semestre de 2010, quando comparada com o mesmo semestre de 2009 - de 227,4 milhões de euros para 105,3 milhões de euros - é justificada com uma quebra de 248,7 milhões de euros na margem financeira.
“Continuar a garantir o financiamento da economia portuguesa pode prejudicar a rendibilidade, [mas este] é o momento em que os particulares e as empresas mais precisam de apoio”, disse à agência Lusa Noberto Rosa, administrador do banco estatal.
Norberto Rosa destacou ainda a “solidez” da CGD, referindo que o banco estatal “tem uma Core Tier 1 que continua a ser superior a oito por cento, o que nos garante a robustez e a solidez”.
A margem financeira estrita caiu assim de 934,2 milhões de euros no primeiro semestre de 2009 para os 685,5 milhões de euros nos primeiros seis meses deste ano.
“A Caixa não teve uma política de repercutir de forma agressiva o aumento dos ‘spreads’. A opção foi fazê-lo de forma gradual. Achámos que devíamos não repercutir integralmente junto dos clientes o aumento nos nossos custos de financiamento”, afirmou Norberto Rosa.
A prejudicar os resultados da CGD estão ainda as imparidades relativas à participação do banco público no BCP e na ZON, bem como a exposição à dívida pública francesa.
“Fomos afetados pela evolução negativa do mercado de capitais, nomeadamente quanto aos títulos da ZON e do BCP”, disse Norberto Rosa. A participação do banco estatal nas duas empresas, sobretudo, teve como efeito o registo de 96,1 milhões de euros de imparidades no semestre.
O aumento das taxas de rentabilidade (‘yields’) da dívida pública francesa, e consequente desvalorização do ativo, bem como o impacto negativo da participação da CGD na Cimpor -- com um impacto negativo de 32,6 milhões de euros -- foram os principais responsáveis pela redução homóloga semestral de 63,1 milhões de euros no resultado em operações financeiras, que se fixou, no final do primeiro semestre de 2010, nos 25,9 milhões de euros.



