Ttribunal arbitral decretou serviços mínimos para comboios urbanos e de longo-curso
(João Gaspar/arquivo)Os maquinistas da CP voltam na sexta-feira à greve, de manhã nos suburbanos de Lisboa e Porto e à tarde nos regionais e longo curso, mas o impacto da paralisação começa já esta noite.
Segundo disse a porta-voz da empresa, Ana Portela, a greve parcial decorrerá nos dias 1, 8 e 15 de Abril, entre as 05h00 e as 08h00 (nos comboios urbanos de Lisboa e Porto) e entre as 17h30 e as 20h30 (no longo curso - Alfa Pendular e Intercidades - e nos regionais).
O tribunal arbitral decretou serviços mínimos, “mas só para os comboios urbanos e para o longo curso, para os serviços regionais não”, afirmou Ana Portela.
O impacto da paralisação começará, contudo, a fazer-se sentir já ao final da noite de hoje: “Na zona de Lisboa, a partir das 23h00 já não há nenhum comboio e, no Porto, as perturbações com mais incidência começam entre as 21h00 e as 22h00”, disse.
Isto porque, explicou, “nestas greves, quando a escala de um maquinista implica turnos que venham a cruzar-se com o período de greve, ele já não entra ao serviço”.
Para sexta-feira, a CP antecipa “supressões várias durante o dia”: “De manhã prevemos que na CP Lisboa e Porto só circulem mesmo os serviços mínimos. Na CP regional as perturbações começam às 12h00 e na CP longo curso às 11h30”, disse Ana Portela.
No caso dos serviços regionais, como não foram decretados serviços mínimos, entre as 17h30 e as 20h30 “não deve haver comboios a circular”.
De acordo com a empresa, a reposição do serviço começará “a ser feita gradualmente” ao longo do dia, prevendo-se que “a partir das 13h00/14h00 o serviço nos comboios urbanos da CP Lisboa e Porto esteja mais ou menos regularizado”.
Já nos comboios regionais e de longo curso, a retoma do serviço far-se-á apenas no sábado e só deverá estar totalmente normalizada pelas 15h00, já que, “como são comboios de mais largas distâncias, ainda há mais perturbações”.
Segundo referiu Ana Portela, “não serão dias tão complicados como nas greves de 24 horas, porque vai havendo comboios, mas as perturbações vão muito além dos períodos horários abrangidos pela greve”.
Aliás, recordou, esta paralisação “continua a coincidir com a greve às horas extraordinárias” que decorre desde 17 de Fevereiro e se prolonga até dia 15, e que até agora abrangia ainda “a 5.ª e a 8.ª hora e mais uma série de condicionantes”.
O presidente do Sindicato dos Maquinistas, António Medeiros, disse considerar “os serviços mínimos sem justificação para o tipo de greve que é”, mas garantiu à Lusa a sua realização.
Na base do protesto, disse, está “o cumprimento do acordo de empresa em vigor para os maquinistas, do regime de trabalho e a definição clara do quadro laboral” por parte da administração.
“Temos um acordo em vigor e temos que saber claramente em que condições estamos a laborar, coisa que a empresa desde Janeiro não definiu, ao contrário do que aconteceu na TAP, na Carris e na Refer”, sustentou António Medeiros.



