Há mais impostos para os portugueses, congela-se salários na função pública e fala-se de dificuldades para os próximos anos, mas o partido do Governo não parece ter sido muito afectado na sua popularidade.
Aliás, segundo um artigo do Financial Times (FT) de ontem, vários dos governantes europeus têm conseguido avançar com medidas de austeridade sem ver a sua imagem cair a pique junto da opinião pública.
No caso português, o FT foca-se no primeiro-ministro, José Sócrates, dando conta que em Novembro de 2009 a sua governação tinha a aprovação de 60,5 por cento dos inquiridos, valor que em Abril tinha descido para 41,5 por cento. A descida é expressiva, mas ainda assim tem apreciação positiva de mais de um terço. No caso do PS, a sondagem mais recente, feita entre 13 e 18 de Maio pela Eurosondagem para a SIC, Expresso e Renascença, dava-lhe 36,2 por cento das intenções de voto. O PSD subiu 4,5 por cento, para os 33 por cento, mas o PS mantém-se no resultado das últimas eleições.
No caso da Grécia, o país mais fustigado pelas medidas de austeridade, a popularidade de Papandreou foi afectada, mas poderia ser pior: desceu de 53 por cento no início do ano para 43 por cento em Maio. Na Alemanha, Merkel consegue reunir 58 por cento dos inquiridos a seu favor, apenas menos um por cento do que em Janeiro. Sarkozy, na França, e Berlusconi, em Itália, tinham em Maio o apoio de 41 por cento dos inquiridos.
Já na Irlanda, país onde os cortes começaram mais cedo, o primeiro-ministro Cowen granjeava a simpatia de apenas 23 por cento em Maio e, em Espanha, Zapatero tem agora 33,7 por cento de apoiantes (menos quatro por cento devido ao novo pacote de austeridade). Mesmo assim, conforme escreveu o FT, Mariano Rajoy, líder do PP, "não tem conseguido capitalizar" o momento adverso do seu adversário, e permanece menos popular.



