Merkel e Sarkozy voltam às reuniões bilaterais na próxima semana 
02.01.2012 - 16:24 Por Pedro Crisóstomo
Merkel e Sarkozy reuniram-se em Paris dias antes da última cimeira europeia de 2011
(Foto: John Schults/Reuters)Depois de um ano em que se repetiram as reuniões de trabalho entre a dupla Angela Merkel-Nicolas Sarkozy antes das cimeiras europeias, os dois líderes voltam a encontrar-se para preparar o próximo Conselho Europeu. O encontro entre a chanceler alemã e o Presidente francês é já na próxima segunda-feira, num almoço de trabalho em Berlim.
A data de 9 de Janeiro foi confirmada numa curta nota pela Presidência francesa, que refere que em cima da mesa estarão questões europeias, em particular a preparação da cimeira de dia 30.
O almoço de trabalho antecede, em três semanas, a primeira reunião de líderes da União Europeia de 2012, consagrada à discussão de medidas de combate à crise financeira e ao crescimento europeu. Da última vez, Merkel reuniu-se com Sarkozy em Paris, dias antes da última cimeira europeia de 2011.
Na semana anterior à reunião de Bruxelas, para dia 23, está ainda marcada uma reunião de ministros das Finanças dos 27.
Sob a ameaça de um corte de rating ao seu triplo A, a nota máxima atribuída pelas grandes agências de notação financeira, Alemanha e França (as duas maiores economias da moeda única) temem as consequências de uma eventual revisão em baixa das suas notações financeiras.
O Eliseu acredita, segundo refere a AFP, que alguma das três grandes agências de notação pode tomar uma medida nesse sentido já no início de Janeiro. E o próprio presidente francês já reconheceu que um corte ao rating AAA francês seria “uma dificuldade acrescida, mas não insuperável”.
O arranque do ano fica também marcado pela entrada no Banco Central Europeu (BCE) de dois novos responsáveis – alemão e francês.
Jörg Asmussen, até aqui secretário de Estado das Finanças alemão, assume o lugar deixado com a demissão do também alemão Jürgen Stark como representante máximo de Berlim no BCE. Para completar o grupo dos seis membros da comissão executiva entra o francês Benoît Coeuré. Ao substituir o italiano Lorenzo Bini Smaghi, Coeuré reforça a influência francesa na instituição, quando a presidência do BCE é agora conduzida pelo italiano Mario Draghi.
Numa altura em que na Europa se multiplicam os apelos, entre economistas e responsáveis nacionais, para que a autoridade monetária na zona euro assuma um papel mais activo na resolução da crise, o que podem trazer ao BCE estes dois nomes? “Sangue novo” e uma “abordagem diferente”, acredita Jacques Cailloux, economista do grupo Royal Bank of Scotland, à Bloomberg.
A expectativa já não é alimentada por Marchel Alexandrovich, do grupo bancário Jefferies International, que falou à mesma agência. Para o economista, tendo o BCE um mandato “claro” (manter os preços estáveis), para ir mais além nas medidas de combate à crise, terá de contar com “uma maioria para tomar outras medidas” para além do que já assumiu, como a compra “temporária” e de carácter excepcional de dívida no mercado secundário e a concessão de empréstimos ilimitados aos bancos da zona euro.


