Cenário de um dia normal, em alguns sítios de Lisboa
(Foto: Rui Gaudêncio)Acompanhe o desenrolar da terceira greve do sector dos transportes nos últimos três meses.
18h28 Os passageiros da Metro de Lisboa e dos barcos do grupo Transtejo estão a ser os mais afectados pela greve de hoje, durante a qual os comboios da CP circulam sem perturbações. A paralisação, a terceira em três meses nas transportadoras, começou a fazer-se sentir às 23h30 de ontem, com a suspensão da circulação no metro da capital. Afectados pela greve foram também os passageiros das embarcações do grupo Transtejo, que assegura a travessia do rio Tejo. Já a Carris garantiu, até às 12h (últimos dados disponíveis), 71% da oferta de serviços. No Porto, até às 15h, cerca de 40% da oferta habitual foi assegurada.
16h58 O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, defendeu hoje que o custo da greve dos transportes “agrava ainda mais” a situação financeira das empresas, que tem níveis de endividamento “assustadores” que podem provocar o fim do serviço público de transportes, escreve a agência Lusa. “O PSD tem um respeito absoluto pelo direito que as pessoas têm de fazer greve, mas tem uma consideração política segundo a qual a greve não resolve os problemas que o país tem, e esta greve em particular não resolve o problema que o sector dos transportes vive em Portugal”.
16h33 O deputado do CDS-PP Hélder Amaral, considerou hoje que a greve é “mais uma dificuldade no esforço da recuperação das empresas” do sector, cita a Lusa. O deputado, que falava no final da comissão parlamentar de Economia e Obras Públicas, no Parlamento, Hélder Amaral afirmou que, perante “o cenário que o país atravessa, é um prejuízo para todos”. “Ninguém ganha com esta greve”.
16h06 A paralisação do metro, em Lisboa, deverá afectar, no total, mais de 550 mil passageiros, confirmou à Lusa a empresa. A circulação está suspensa desde as 23h30 de ontem. O serviço só será normalizado a partir das 06h30 de amanhã. Os cálculos da empresa têm em conta o facto de este ser o número de passageiros transportados por dia, somado o impacto que resulta do encerramento das portas ontem ao final da noite.
15h01 O líder parlamentar do PSD defendeu que o custo da greve dos transportes “agrava ainda mais” a situação financeira das empresas, que tem níveis de endividamento “assustadores” que podem provocar o fim do serviço público de transportes. “O PSD tem um respeito absoluto pelo direito que as pessoas têm de fazer greve, mas tem uma consideração política segundo a qual a greve não resolve os problemas que o país tem, e esta greve em particular não resolve o problema que o sector dos transportes vive em Portugal”, afirmou Luís Montenegro .
13h23 Os comboios da CP estão a circular como num dia normal. Não houve, até agora, nenhuma supressão, confirmou ao PÚBLICO a porta-voz da empresa, Ana Portela. Num dia útil, a CP transporta em média 430.736 passageiros e realiza 1469 comboios, entre regionais, ligações de longo curso, comboios urbanos de Lisboa e do Porto.
13h15 A FECTRANS, que tem vários sindicatos envolvidos na greve de hoje, considera que a adesão conseguida revela que está a ser “um sucesso”, segundo disso ao PÚBLICO Amável Alves, da direcção desta federação de sindicatos de transportes. Amável Alves realça que houve “paralisação total” no Metro de Lisboa e na Soflusa durante o turno da manhã, esperando que nesta empresa que assegura ligação entre Lisboa a vários destinos na margem sul a adesão seja também total durante o período de greve do final da tarde. Nos STCP (autocarros do Porto) a adesão foi classificada como “quase total”. Reconhece, no entanto, que a adesão na CP e na Carris está a ser “bastante inferior à de greves anteriores”. Amável Alves avança várias explicações, como a “pressão” sobre os trabalhadores aos cortes salariais que já sofreram, e que “também afectam a capacidade de aderir à greve”, atendendo a que houve várias recentemente. No caso da CP, Amável Alves nota também que a empresa pôs a sua frota de carros a transportar trabalhadores para poderem ir trabalhar. “As percentagens de adesão são geralmente superiores ao impacto”, disse Amável Alves, considerando a adesão geral como “bastante boa”.
12h58 No Porto, circularam 42% dos autocarros da STCP desde o arranque da greve, às 0h. O balanço mais recente da empresa é das 8h. Até esta hora, foram realizados 102 serviços, dos 333 que estavam previstos. O impacto da greve tem vindo a aumentar desde o início da paralisação: às 0h tinham sido realizadas 94% das circulações, às 2h foram cumpridas 64% das carreiras, enquanto ao início da manhã já só tinham circulado 33% dos autocarros.
11h41 O secretário de estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, criticou as contas que a CGTP e a FECTRANS fizeram aos custos da greve, afirmando que foram “pouco rigorosas”. “Quando disse que a greve de hoje vai custar 150 milhões de euros, a FECTRANS e a CGTP multiplicaram esse valor por 365 dias. Fazer essa multiplicação, como se o impacto da economia fosse igual num dia útil ao fim de semana ou a um feriado, é pouco rigoroso e não corresponde à realidade”, disse o governante. Sérgio Monteiro falava na comissão parlamentar de Economia e Obras Públicas, onde está a ser ouvido a pedido do PS. Reafirmando os custos da greve dos transportes públicos que hoje se realiza, o secretário de Estado pediu aos deputados para reflectirem nesse número “porque a economia não aguenta impactos dessa natureza”.
Para o governante, o país tem “de caminhar para a sustentabilidade das contas públicas”, sem excepção. O governante terminou afirmando que “temos todos de caminhar para a sustentabilidade das contas públicas”. Aos trabalhadores, Sérgio Monteiro pediu “compreensão para perceberem que este caminho de greve sobre greve afasta o país do caminho da consolidação”. Reafirmando que “não se pode por em causa aquilo que é o esforço do Governo num ano de poupança”, pediu ainda aos sindicatos “especial sentido de responsabilidade” na actual conjuntura económica. “Reflictam. Têm de ter consciência do impacto das suas decisões”, afirmou o secretário de Estado.
10h15 Na Soflusa, a adesão à greve no período da manhã foi de 85%, segundo informação da empresa. A greve de hoje, que suprimiu todas as ligações de manhã, deverá afectar os perto de 45 mil passageiros utilizam barcos para entre Barreiro, Seixal, Montijo, Cacilhas, Trafaria e a cidade de Lisboa. A meio do dia não há greve, que recomeça a meio da tarde.
10h01Os autocarros da STCP, no Porto, parecem circular com normalidade pelo menos numa parte das linhas, estando os horários também a ser cumpridos durante a hora de ponta da manhã. Não se vêem filas anormais nas paragens e algumas viaturas circulam mesmo com muito menos utentes do que é normal, sendo difícil determinar se a menor afluência se deve aos aumentos dos preços dos títulos de transporte ou ao facto de, avisados da greve, os habituais passageiros terem optado por outros meios de transporte.
9h46 A CP informou que os comboios continuam a circular a 100%, tal como acontecia já ao início da manhã. O PÚBLICO constatou que na Linha de Cascais a circulação se processava como num dia normal.
9h35Nos STCP (Sociedade de Transportes Colectivos do Porto), a maioria dos autocarros estava parados por volta das 8h. Circulavam apenas 30% dos que normalmente andariam na cidade. A Comissão de Trabalhadores disse à agência Lusa que a adesão à greve é de 65%, e que estavam a circular 90 dos 220 autocarros previstos.
9h12 Em Lisboa, trânsito no Viaduto Duarte Pacheco está ainda mais difícil do que o habitual. Isso pode estar relacionado com um maior recurso ao carro para quem é de fora de Lisboa. Por exemplo, quem vem da Damaia, Amadora, mas optou na mesma pelo autocarro da Carris, deparou-se com atrasos. Há passageiros a queixarem-se de não haver informações sobre horários e, por isso, ficarem nas paragens à espera, sem saberem se haverá ou não transporte.
9h Contabilidade da manhã: seis das oito empresas convocadas estão paralisadas disse à Lusa o coordenador da FECTRANS – Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações. “Do conjunto das oito empresas que tiveram pré-avisos de greve, seis estão praticamente paralisadas – Transtejo, Soflusa, CP Carga, SCTP, Metropolitano de Lisboa e Refer”, avançou José Oliveira. “Algumas [empresas] – a Carris e a CP –, por razões diversas que estamos a analisar, não tiveram uma adesão tão grande como seria de esperar”, acrescentou.
A greve de hoje envolve a CP, CP Carga, Refer, Metropolitano de Lisboa, Carris, Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) e Transtejo/Soflusa. A paralisação, que começou às 0h, é de 24 horas em todas as empresas, com excepção do grupo Transtejo/Soflusa, na qual os trabalhadores vão parar três horas por turno. Os sindicatos que apresentaram os pré-avisos de greve contestam as medidas anunciadas pelo Governo para o sector dos transportes, como as privatizações, a redução de serviços e de trabalhadores. Esta é a terceira greve a afectar as empresas públicas de transportes em três meses. Na terça-feira, o secretário de Estado dos Transportes alegou que a greve dos transportes vai custar 150 milhões de euros à economia portuguesa e destruir num dia o esforço de poupança feito num ano.
8h50 No Porto, a Lusa cita números da comissão de trabalhadores desta empresa, referindo que a adesão é de cerca de 65 por cento. De acordo com Ricardo Cunha, dos 220 autocarros que deveriam ter saído, estão a circular “apenas 90”.
8h48 A circulação de comboios na linha de Sintra, em Lisboa, está a processar-se com normalidade, de acordo com a Lusa, não sendo visíveis os efeitos da greve dos transportes. Na estação de Agualva-Cacém, ao contrário de outros dias de greve, o cais de embarque estava vazio cerca das 8h e a circulação de comboios nos dois sentidos fazia-se normalmente. Alguns passageiros disseram à Lusa que “parece um dia normal”. “Não estava à espera de encontrar a estação tão vazia. Ou os trabalhadores não estão a aderir à greve, ou as pessoas estão a procurar alternativas aos comboios”, disse Rosa Santos.
8h25 No caso da CP, a greve não tinha impacto às 7h, pois estavam a circular todos os comboios previstos, segundo informação da porta-voz da empresa, Ana Portela. Os operadores de transportes ainda não tinham dados sobre a adesão à greve, que só deverão começar a ser conhecidos a partir de meio da manhã, quando forem contabilizados os trabalhadores que se apresentaram ao serviço. No Metro de Lisboa, todas as estações estavam encerradas por razões de segurança, e perto das 8h havia alguns trabalhadores nos escritórios, disse ao PÚBLICO fonte da empresa. No caso da Transtejo, estavam paradas todas as ligações ao início da manhã, o que significa que não havia barcos para ligar o Barreiro, Seixal, Montijo, Cacilhas, Trafaria com a cidade de Lisboa, segundo informação da empresa. A greve na Transtejo abrange apenas os períodos de início da manhã e de final de tarde, e a maior parte dos serviços será retomada entre as 9h30 e as 10h (no caso do Barreiro, só às 10h40). À tarde, os barcos começam a parar às 16h e recomeçam às 19h45, do Barreiro para o Terreiro do Paço. As outras ligações vão sendo retomadas até às 8h30. Não foi ainda possível obter informação sobre o impacto nos STCP, no Porto. O metro nesta cidade não aderiu à paralisação convocada como protesto contra o plano estratégico dos transportes e em defesa do serviço público. Esta greve – a terceira do sector em três meses – acontece um dia depois do aumento das tarifas de transporte.



