Dívidas aos fornecedores, diz o "Jornal de Notícias", ascende já aos 62 milhões de euros
(Adriano Miranda)Há dois dias atrás o presidente da Metro do Porto, Ricardo Fonseca, assinou uma carta dirigida ao Ministério das Obras Públicas onde, em forma de ultimato, avisa que ou o Estado injecta 200 milhões de euros na tesouraria da empresa até ao final do ano, ou os investimentos já em curso ficam em causa e a empresa precisa de parar.
A carta é divulgada na edição de hoje do "Jornal de Notícias", que fez ainda a diligência de pedir uma reacção ao Ministério das Obras Públicas, que respondeu tratar-se de "uma situação de rotina". Uma fonte do gabinete de imprensa do Ministério disse que "tudo vai ser tratado" e que "não há nenhuma situação de emergência".
Quem falou em "máxima urgência", foi o próprio Ricardo Fonseca que escreveu ao governo que se não houvesse "uma resposta favorável e num prazo curto a Metro do Porto ver-se-ia confrontada "com uma situação de ruptura de tesouraria que pode pôr em causa o cumprimento dos compromissos assumidos".
Ricardo Fonseca - que presidiu à Administração dos Portos do Douro e Leixões antes de ir substituir Oliveira Marques à frente do Metro do Porto - refere-se à impossibilidade de cumprir os compromissos decorrentes não só dos investimentos já em curso, como são a extensão a Gondomar e a Santo Ovídeo, bem como do pagamentos do serviço de dívida, divida esta "da qual uma parte significativa tem garantia da República".
A situação de ruptura financeira a que chegou a Metro do Porto está relacionada com as dificuldades em contrair emprestimos junto da banca. A empresa precisa este ano de 280 milhões, e, até agora, só conseguiu garantir cerca de 75 milhões. As dívidas aos fornecedores, diz o "Jornal de Notícias", ascende já aos 62 milhões de euros.



