A instituição mutualista e a família Costa Leite, que tem mais de 60 por cento do capital do banco, chegaram a um acordo de venda que avalia o Finibanco entre 250 a 300 milhões de euros e que apanhou completamente desprevenido o Banif, o segundo maior accionista, com quase dez por cento.
"O Banif não conhece nenhuma operação em concreto, só se pronuncia sobre casos concretos e, se tal acontecer, então avaliá-los-á", disse ao PÚBLICO fonte oficial da instituição. Mas dentro do Banif todos os cenários estão em aberto. Há quem admita que o banco possa ser forçado a vender a sua posição, mas outras fontes contactadas admitem que a oferta do Montepio leve o banco a repensar a sua posição no sistema bancário português perante a possibilidade de ser ultrapassado pelo Finibanco/Caixa Económica (o banco que pertence ao Montepio), avançando com uma contraproposta.
O que falta neste momento para que a operação possa ser oficialmente anunciada é a sua aprovação pelos órgãos sociais do Montepio Geral (a mútua tem cerca de 250 mil associados) e admite-se que a compra possa traduzir-se numa oferta pública de aquisição (OPA), visto que a posição da família Costa Leite ultrapassa largamente os 33 por cento, limite a partir do qual há a obrigatoriedade de lançamento de uma OPA. Os detalhes ainda são pouco conhecidos. Do lado do Finibanco, silêncio absoluto e do Montepio apenas a indicação de que "até à realização da reunião do conselho geral [que se deverá realizar hoje à tarde] nada há para dizer".
A notícia de compra foi avançada pela Lusa a meio da tarde e foi antecedida por uma subida anormal dos títulos do Finibanco que levaram a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a requerer a suspensão das acções na bolsa: antes da suspensão, por volta das 15h30, os títulos estavam a valorizar-se 13,85 por cento, para 1,48 euros, com um volume atipicamente alto de negociação.
As acções foram "suspensas a aguardar divulgação de informação privilegiada", explicou a CMVM, mas até à hora de fecho desta edição nada tinha sido divulgado. Certo é que o movimento de subida, que se iniciou por volta do meio-dia, levanta muitas suspeitas. A CMVM está a averiguar o que está por trás desta súbita escalada dos títulos, adiantou ao PÚBLICO fonte oficial da entidade reguladora.
A concretizar-se a operação, o Montepio Geral poderá criar um grupo com mais de 500 balcões - superando o Banif e aproximando-se do Grupo Crédito Agrícola -, e um activo superior a 20.000 milhões de euros.
A junção destes dois grupos seria o primeiro sinal de um movimento de consolidação muitas vezes defendido pelo anterior governador do Banco de Portugal Vítor Constâncio. Em Espanha, onde o mercado se caracteriza pela existência de diversas caixas de poupança regionais - cinco das quais chumbaram nos recentes testes de stress do Banco Central Europeu (BCE) -, o processo de consolidação já começou, afigurando-se fundamental para garantir a solidez do sistema financeiro num momento em que persistem as dificuldades no acesso ao financiamento e em que estão particularmente vulneráveis as instituições de pequena dimensão.
A instituição mutualista liderada por Tomás Correia, que ontem anunciou uma emissão obrigacionista de 3000 milhões de euros, chegou a manifestar-se interessada em analisar o dossier de alienação da rede de balcões do BPN, que ainda está por lançar.



