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Inovação

Na melhor incubadora de empresas do mundo, a palavra de ordem é crescer

19.12.2010 - 10:20 Por Ana Rita Faria

<p>Em Coimbra, o IPN contribuiu para a criação de mais de 1500 empregos</p>

Em Coimbra, o IPN contribuiu para a criação de mais de 1500 empregos

 (Foto: Adriano Miranda/arquivo)
Em 15 anos, a incubadora do Instituto Pedro Nunes deu à luz 140 empresas e tornou-se mais conhecida lá fora do que cá dentro. Agora, foi eleita a melhor do mundo.

Quando um projecto quer entrar para a incubadora do Instituto Pedro Nunes (IPN), em Coimbra, tem de preencher uma ficha de pré-candidatura, onde se pergunta a razão de querer fazer parte deste universo de empresas inovadoras. Hoje, a maioria dos candidatos já não refere o facto de ficar livre dos custos físicos ou de continuar ligado ao meio universitário. Fala do prestígio da incubadora, que pode abrir novas portas. No espaço de 15 anos, o IPN patrocinou o nascimento de cerca de 140 empresas e a criação de mais de 1500 empregos. O grande reconhecimento veio há um mês, ao ser eleita a melhor incubadora de empresas de base tecnológica do mundo. Aqui dentro, nada nasce ou cresce sozinho.

Os 1750 metros quadrados destinados a incubação repartem-se em mais de 50 salas, totalmente mobiladas, com luz, água, telefone, rede de dados e acesso a serviços de recepção, secretariado, limpeza, segurança e reprografia. As empresas em fase de lançamento não têm de se preocupar com os custos físicos e podem concentrar o investimento no que realmente interessa: hardware, software e contratação de pessoas. A isso junta-se a ligação aos laboratórios do IPN e à própria Universidade de Coimbra, bem como o apoio de uma equipa qualificada, que ajuda a desenvolver o plano de negócios e apoia a empresa no seu crescimento. Há ainda serviços destinados à obtenção de capital, ajudando as empresas a candidatarem-se a sistemas de incentivos ou a conseguirem o patrocínio de capitais de risco.

Este modelo de "negócio" deu à incubadora do IPN a vitória no concurso Best Science Based Incubator, promovido pela Technopolicy Network (uma rede mundial de incubadoras e pólos de ciência e tecnologia), ao qual concorreram 50 incubadoras de 26 países. Há dois anos, tinha já ficado em segundo lugar. Para Paulo Santos, de 35 anos, que assumiu a direcção da incubadora do IPN aos 26, este prémio internacional não é mais do que "o corolário de uma série de prémios que as nossas empresas têm recebido por elas próprias, quer a nível nacional, quer internacional". Mas a equipa de gestão tem dado uma ajuda.

Cerca de 80 por cento das empresas que nascem na incubadora sobrevivem, o que, segundo Paulo Santos, contrasta com a realidade da economia portuguesa, onde 60 a 70 por cento das empresas criadas morrem nos primeiros três anos de vida. "Temos conseguido cumprir a nossa primeira missão, que é ajudar as empresas na sua fase nascente a superar o que chamamos de vale da morte", revela o director da incubadora do IPN. Uma conquista que se deve, não só, ao modelo de negócio da incubadora, mas também ao elevado grau de exigência, que já condenou várias empresas a ficar pelo caminho.

Sair do ninho

Alguns casos de sucesso ajudaram a projectar o nome do IPN, como é o caso da Critical Software, que faz sistemas de informação para gigantes como a NASA e a IBM, ou da Crioestaminal, a primeira empresa em Portugal a fazer criopreservação de células estaminais. Já são empresas maduras, que saíram o IPN, mas que decidiram manter-se ligadas ao seu "ninho" de origem através de um programa de incubação virtual. Actualmente, a incubadora tem 40 empresas neste programa, que tanto podem ser projectos já lançados no mercado como outros que estão ainda a dar os primeiros passos.

No programa de incubação física, ou seja, a viver na incubadora, há actualmente outras 40 empresas, de áreas tão variadas como a ENEIDA (que desenvolve electrónica para monitorização de ambientes industriais), a Infogene (que desenvolve análises genéticas inovadores para prevenir o cancro), a Feedzai (que tem um produto que permite às empresas visualizar em tempo real as modificações de condições do seu negócio) ou a Pensar Território (que presta serviços na área do ordenamento do território, planeamento e consultoria ambiental). Algumas já estão mesmo de saída, prontas para enfrentar o mercado de trabalho fora do aconchego da incubadora.

É o caso da Active Space Technologies, que fornece serviços de engenharia mecânica e electrónica e tecnologia de ponta para o sector aeroespacial, automóvel, defesa e energia. A empresa nasceu na incubadora da Agência Espacial Europeia, que hoje continua a ser um dos seus principais clientes, e decidiu depois instalar-se no IPN. Hoje, emprega 23 pessoas e tem uma delegação na Alemanha e uma representação comercial na Holanda. Em breve, deverá deixar livres as três salas que ocupa na incubadora.

Outra das empresas que deverão abandonar em breve o IPN é a MedicineOne. Com 50 funcionários e uma facturação de dois milhões de euros anuais, a empresa desenvolve um software de gestão clínica que organiza toda uma unidade de saúde desde a parte administrativa (facturação, agendamento de consultas) até à gestão de internamentos e aos blocos operatórios. O Sistema Nacional de Saúde é o seu principal cliente, mas a grande aposta passa por ultrapassar as fronteiras nacionais. Há dois meses, abriu uma delegação no Rio de Janeiro e pretende abrir outra em São Paulo. Além disso, está também presente no mercado angolano através de alguns parceiros e quer avançar para os EUA e o Canadá em 2011.

Dentro do espírito da incubadora, que tenta, sempre que possível, promover sinergias entre as empresas, a MedicineOne aliou-se a outro projecto incubado - a Take The Wind, que desenvolve interfaces de comunicação e animações 3D para conteúdos biomédicos. Esta empresa conquistou grandes farmacêuticas como a Merck Sharp & Dohme, a Novartis e a Bial, que recorrem aos seus serviços para explicar ao público geral ou especializado os resultados de uma investigação ou apresentar um determinado medicamento. A União Europeia, o Brasil e os países do Oriente são as grandes apostas desta empresa que, à semelhança de muitas outras da incubadora do IPN, há muito percebeu que é para o estrangeiro que tem de olhar.

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Comentário + votado

A Porca que come os seus filhos

...e muitas destas empresas não vingam porque são taxadas a torto e a direito, tendo, ...

João de Lima

19.12.2010 11:48