António Nogueira Leite lembrou que a crise não passou
(Sérgio Azenha (arquivo))O economista António Nogueira Leite afirmou à Lusa que os 0,3 por cento de crescimento da economia são um “bom sinal” e revela que “Portugal está muito mais próximo da Alemanha do que da Espanha”.
Nogueira Leite disse que, “globalmente, a economia portuguesa mostra que tem um comportamento mais próximo da Alemanha e da França do que da Espanha ou da Irlanda”, comentando o acompanhamento de Portugal com as duas maiores economias da Zona Euro, a Alemanha e a França, que hoje revelaram também crescimentos do PIB de 0,3 por cento no segundo trimestre face aos primeiros três meses do ano.
“O crescimento registado deve-se a um conjunto de estímulos lançados nos últimos meses, que se traduziram num aumento real do rendimento disponível dos funcionários públicos e de entidades ligadas ao Estado”, observou o economista (que foi secretário de Estado do Tesouro de António Guterres), acrescentando que “a economia portuguesa está mais dependente do Estado do que, por exemplo, a espanhola”.
Nogueira Leite referiu que os “resultados são bons e já se suspeitava que poderia haver uma recuperação porque havia vários indicadores nesse sentido”, como, por exemplo, “o aumento de tráfego nas auto-estradas”.
E acrescenta que “nenhum economista, há três meses, poderia prever que iria haver uma inversão positiva da economia portuguesa”.
Crise não está ultrapassada
No entanto, para António Nogueira Leite, a crise ainda não foi ultrapassada. “Não acredito que já ultrapassámos a crise. Longe disso”, afirmou.
Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), “em termos conjunturais, dão-nos esperança, mas em termos estruturais, há ainda muito a resolver”, disse.
O INE divulgou hoje que economia portuguesa inverteu a tendência de queda, ao crescer 0,3 por cento no segundo trimestre do ano em relação aos três meses anteriores.
O comportamento do PIB saiu assim melhor do que esperado pelos economistas consultados pela agência Lusa, que estimavam um recuo, face aos três meses anteriores, de 0,6 por cento. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 3,7 por cento em termos homólogos.



