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Previsão actual é de queda de 3%

Nova estimativa de Bruxelas sobre o PIB português deverá ser mais negativa

22.02.2012 - 18:46 Por Lusa

<p>Previsão de Janeiro do Banco de Portugal já apontava para uma quebra do PIB de 3,1% em 2012</p>

Previsão de Janeiro do Banco de Portugal já apontava para uma quebra do PIB de 3,1% em 2012

 (Foto: Miguel Dantas)
A Comissão Europeia vai anunciar quinta-feira previsões económicas para todos os 27 países da UE que, no caso de Portugal, deverão ser ainda mais negativas do que as anteriores.

Em Novembro, a Comissão previu que este ano Portugal sofrerá uma diminuição de 3% no seu Produto Interno Bruto (PIB). Para 2013, no entanto, a Comissão já esperava uma ligeira retoma, com um crescimento de 1,1%.

Ora, as projecções actualizadas entretanto reviram estes valores em baixa, reflectindo a continuada deterioração de outros indicadores. O Banco de Portugal (BdP), por exemplo, avançou em Janeiro a previsão de uma quebra do PIB de 3,1%, e de uma retoma em 2013 de apenas 0,3%.

Os economistas contactados pela Lusa partilham da opinião de que os números que a Comissão vai avançar na quinta-feira serão mais negativos que os de Novembro.

“Julgo que este ano deveremos ter [uma recessão] por volta dos 3,5%, e para o ano é muito difícil que [a retoma atinja] 1%. Já ficaria muito satisfeito se em 2013 não houvesse recessão, ficar pelos 0% seria óptimo”, disse à Lusa Jorge Santos, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) de Lisboa.

Gonçalo Pascoal, economista-chefe do Millennium bcp, tem expectativas semelhantes relativamente à evolução da economia portuguesa. “Estamos à espera de números perto [de uma contracção do PIB de] 3,5% este ano, e mais próximos do zero no ano que vem”, afirmou Pascoal.

Esta revisão em baixa “não constitui propriamente uma surpresa”, acrescenta o economista do BCP: “Se pegarmos nas projecções do BdP que saíram no início deste ano, as coisas já estavam mais ou menos alinhadas por um padrão semelhante. Ter 0,3% de crescimento ou ter zero, a este tempo de distância não me parece fantasticamente relevante.”

Jorge Santos concorda que uma revisão em baixa das previsões sobre o crescimento da economia portuguesa não é surpreendente.

“A menos que as coisas passem a correr muito bem na Europa”, não é de esperar uma mudança de tendência, diz o professor do ISEG. “Tendo em conta todas as medidas de diminuição do rendimento das pessoas e o que está a acontecer ao crédito das empresas, é muito difícil que haja uma inversão.”

Para a economia portuguesa, o “grande objectivo é que as exportações cresçam, e para isso era bom que os nossos parceiros também crescessem”, diz ainda Jorge Santos. “Desse ponto de vista, as coisas estão um bocadinho complicadas.”

Nas últimas previsões apresentadas pelo Governo, a expectativa para 2012 era de uma contracção do PIB de 3%.

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