Novas oportunidades de negócio no Brasil não atraem TAP 
17.03.2010 - 15:57 Por Raquel de Almeida Correia
Está em marcha uma nova lei que vai permitir aos investidores estrangeiros comprar até 49 por cento do capital de companhias de aviação brasileiras. Apesar da atractividade do mercado, a transportadora nacional descarta essa hipótese.
O governo brasileiro quer aumentar o tecto máximo de participação de capital estrangeiro nas companhias de aviação do país para dar resposta ao esperado aumento do tráfego pela altura do Mundial de Futebol, em 2014, e dos Jogos Olímpicos, em 2016. Apesar de já ter negócios no Brasil, a TAP diz que não pretende fazer novas aquisições, acrescentando que, neste momento, está concentrada no seu processo de privatização.
A proposta, enviada ao Congresso Nacional do Brasil pelo Ministério da Defesa brasileiro, prevê o fim de parte das limitações até agora impostas aos investidores estrangeiros, impedidos de adquirir mais de 20 por cento do capital de companhias de aviação brasileiras.
O objectivo é modernizar o sector, preparando as empresas para a procura que se deverá fazer sentir na altura do Mundial e dos Jogos Olímpicos. "Esta medida vai permitir um aumento da oferta, da concorrência e da qualidade do serviço", antevê o governo.
Esta alteração, porém, não parece ser suficiente para atrair o investimento da TAP. A transportadora nacional, detida a 100 por cento pelo Estado, está no Brasil desde 2006, ano em que comprou o ramo de manutenção da antiga transportadora brasileira Varig, a VEM (agora designada por TAP Manutenção & Engenharia Brasil). No entanto, não pretende expandir os negócios no país.
Contactado pelo PÚBLICO, o porta-voz da empresa, António Monteiro, respondeu que "não há interesse em fazer aquisições, neste momento". Isto porque "o accionista está focado na privatização" - processo inscrito no Programa de Estabilidade e Crescimento, apresentado no início deste mês pelo Governo.
A indústria da aviação brasileira é uma das mais competitivas do mundo. Em 2008, movimentou 63 milhões de passageiros, prevendo-se um crescimento anual na ordem dos sete por cento nos próximos anos. A TAM e a Gol lideram o mercado.


