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Associação do sector quer medidas mais concretas

Operador turístico em conflito com hotéis algarvios aceita negociar

19.11.2010 - 11:40 Por Raquel Almeida Correia

<p>Turistas britânicos são os que mais visitam Portugal</p>

Turistas britânicos são os que mais visitam Portugal

 (Foto: Pedro Cunha)
A Thomas Cook, responsável pela vinda de muitos turistas britânicos para o Algarve, acordou, com o Governo, compensar os empresários.

O secretário de Estado do Turismo sentou-se à mesa com a administração do segundo maior operador turístico do mundo, que está em conflito com os hoteleiros do Algarve.

A britânica Thomas Cook, que anunciou o cancelamento das operações para a região no Inverno e decidiu fazer um desconto de cinco por cento nas facturas a pagar aos hotéis, diz que está disponível para chegar a um acordo "satisfatório" para ambas as partes. A associação do sector aplaude a iniciativa do Governo, mas quer soluções "mais concretas".

O conflito entre o operador turístico, responsável por muitos dos turistas britânicos que chegam aos hotéis algarvios, e os empresários veio a público no final do Verão. A "decisão unilateral" de aplicar uma redução na facturação levou, inclusivamente, a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) a juntar-se a um conjunto de entidades europeias que apresentaram queixas a Bruxelas por causa de "uma atitude que configura um abuso de posição dominante", esclareceu o presidente, Elidérico Viegas.

Estas denúncias também terão chegado, de acordo com o responsável, ao Turismo de Portugal. Ontem, o secretário de Estado do Turismo avançou ao PÚBLICO que o operador se comprometeu a "compensar os hoteleiros". Esse compromisso foi selado, por meio de carta, pela Thomas Cook, depois de uma reunião com o governante, na semana passada.

Na carta, a empresa explica que "as medidas radicais" que tem tomado se devem ao facto de ter perdido "perto de 100 milhões de euros" por causa da erupção do vulcão islandês, em Abril, e ainda com uma diminuição da procura, provocada pela conjuntura económica. Situação que levou, aliás, ao despedimento de 500 dos seus trabalhadores.

Um compromisso com "demasiados 'ses'"

O operador afirma que "compreende o impacto que as medidas tiveram nas empresas portuguesas" e garante que vai "reunir-se e negociar com os empresários afectados antes de 31 de Dezembro de 2010", refere o documento, a que o PÚBLICO teve acesso. O objectivo destes encontros será, segundo a Thomas Cook, "assegurar que se chega a um acordo satisfatório para ambas as partes".

Para o secretário de Estado, este compromisso "reabre um dossier que estava fechado". Apesar de admitir que alguns hoteleiros ainda poderão recorrer à via judicial, Bernardo Trindade afirmou que "a base inicial de trabalho está encontrada", acrescentando que vai dar, agora, conhecimento desta carta à Confederação do Turismo Português.

Além do compromisso para negociar, o governante destaca ainda outra garantia deixada pelo operador. "Comprometemo-nos a rever o programa para Portugal para o Inverno de 2011/12", afirma na carta, colocando ainda a hipótese de aumentar o fluxo de turistas, uma vez que está envolvido numa fusão que poderá aumentar os seus pontos de venda no Reino Unido e na Irlanda para 1300.

Para Elidérico Viegas, "há demasiados "ses" neste compromisso". A AHETA, que foi mandatada pelos associados para negociar com a Thomas Cook, diz estar "disponível para ouvir", mas frisa que "um dos princípios do turismo, a confiança, foi abalado".

A intervenção do Executivo é considerada "positiva, mas tardia". Preferia que tivesse tomado uma posição conjunta com outros governos, nomeadamente o de Espanha, onde também existem conflitos com o operador britânico.

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Comentário + votado

O algarve vai chorar....

muito por ter escorraçado os portugueses,quanto a esta situação do thomas cook mais ...

Atento

19.11.2010 19:24