Teixeira dos Santos não conseguiu convencer analistas
(Enric Vives-Rubio (arquivo))O Programa de Estabilidade e Crescimento apresentado pelo Governo esta semana não foi suficiente para mudar a opinião da Moody"s, uma das três grandes agências internacionais de notação do risco de crédito, mantendo-se a descida do rating português como o cenário mais provável.
Apesar das medidas de austeridade anunciadas pelo executivo, o analista responsável pela análise do risco de crédito do Estado português afirma, em declarações ao PÚBLICO, que "o programa não foi capaz de mudar a nossa opinião sobre as finanças públicas portuguesas". "O nosso sentimento tem sido o de que Portugal está a passar por uma deterioração gradual das suas perspectivas de crescimento e dos seus indicadores de dívida pública. O Governo apresentou um Programa de Estabilidade e Crescimento ambicioso, mas, baseados nos desempenhos passados, não podemos ter muita confiança que possa ser inteiramente executado", explica Anthony Thomas, que durante as próximas semanas irá tomar uma decisão sobre o que irá acontecer ao rating português - o nível de risco que é assumido por quem decidir emprestar dinheiro ao Estado português.
Actualmente, a classificação atribuída pela Moody"s a Portugal é de Aa2, mas com um outlook "negativo", o que representa um aviso em relação a um eventual corte do rating nacional. E o analista da Moody"s deixa a entender de forma clara que esse é mesmo o destino mais provável. "Como está implícito no outlook negativo, a direcção mais provável do rating é, actualmente, a descida".
Para mudar esta opinião, aquilo que o analista da Moody"s pede nesta fase é "mais detalhes sobre a forma como o Governo pretende atingir os objectivos que traçou". Ainda assim, permanecem muitas dúvidas quanto ao realismo das projecções governamentais. "As autoridades estão a assumir que as receitas vão recuperar fortemente depois da queda repentina do ano passado. Em teoria, é possível, mas não é provável, uma vez que as perspectivas de crescimento são bastante modestas", afirma Anthony Thomas.
A Moody"s já tinha, na quarta-feira, publicado uma breve opinião sobre o risco de crédito português, em que se referia ao PEC português como tendo previsões de evolução da receita "optimistas".
Nas outras duas grandes agências de rating internacionais - a Standard & Poor"s e a Fitch - os analistas responsáveis pela análise da economia portuguesa estão ainda em fase de análise do PEC, adiando qualquer comentário ou decisão sobre o rating para os próximos dias.
Uma descida da classificação atribuída por estas agências - que muitos consideram terem tido grandes responsabilidades na crise financeira mundial - poderá significar um agravamento dos custos de financiamento do Estado português no estrangeiro.
Se convencer estas agências está a ser difícil, o Governo português tem conseguido pelo menos obter alguns elogios do estrangeiro. "Ainda não tivemos oportunidade de discutir o plano com as autoridades em detalhe, mas parece apropriado em termos gerais", afirmou ontem a porta-voz do FMI ao Jornal de Negócios. Desta forma, esta entidade junta-se à Comissão Europeia e à OCDE, que já tinham dado opiniões positivas sobre o plano português.



