O número de pesados fabricados em Portugal teve uma quebra de 4,1 por cento em Maio relativamente a Maio de 2009, para 334 unidades, contrariando a subida geral de produção na indústria automóvel, indicam os dados ontem divulgados pela ACAP - Associação Automóvel de Portugal.
As duas fábricas portuguesas de pesados (Toyota Caetano e Mitsubishi) reduziram fortemente o fabrico de pesados das duas marcas, com quebras respectivas de 41,2 por cento e de 35,3 por cento.
Esta descida traduziu-se numa inversão face aos primeiros meses do ano, indicam também os dados já divulgados: em Abril, a produção de pesados era a que mais tinha crescido, ao aumentar 88,3 por cento em termos homólogos. "O mercado de pesados é o único que não está a recuperar na Europa", salientou ontem ao PÚBLICO o secretário-geral da ACAP, Hélder Pedro. Também em Portugal, que tem apresentado os maiores aumentos na venda de automóveis dentro da União Europeia, as vendas de camiões e autocarros têm estado a cair: entre Janeiro e Maio, venderam-se menos 24,5 por cento do que nos primeiros cinco meses de 2009.
No entanto, em termos globais, a indústria continua a registar um grande crescimento face aos fracos números do ano passado, quando houve um forte recurso ao lay off. "Como o ano passado foi tão mau, a comparação só pode ser positiva", sublinhou Hélder Pedro, contactado ontem pelo PÚBLICO. Assim, no mês passado o número de viaturas fabricadas em Portugal cresceu 20,1 por cento, em termos homólogos, e desde o início do ano registou-se uma subida acumulada de 24,2 por cento. No entanto, com excepção de 2009, é preciso recuar até "ao final dos anos 80" para encontrar números tão baixos como os actuais, lembra o mesmo responsável.
Mas agora que a venda de ligeiros na Europa está também a descer, devido ao fim do sistema de incentivos ao abate de veículos em fim de vida em vários países, como a Alemanha (menos 35,1 por cento de carros vendidos em Maio), Hélder Pedro admite que o fabrico em geral também diminua de ritmo - "mas mantendo-se sempre positivo, porque [é comparável] com um ano muito mau".



