Pilotos da TAP recuam na greve mas mantêm paralisação de Janeiro 
09.12.2011 - 08:22 Por Pedro Crisóstomo
Pilotos reclamam participação no capital da TAP
(Foto: Fernando Veludo/Arquivo)A paralisação de quatro dias que começaria nesta sexta-feira foi desconvocada pelos pilotos da TAP. O sindicato diz ter conseguido do Governo a garantia de que os trabalhadores vão ser envolvidos no processo de privatização da companhia aérea. Porém, os quatro dias de greve agendados para a primeira semana de Janeiro mantêm-se. A TAP diz que, mesmo com a greve de Dezembro desconvocada, parte dos prejuízos é irrecuperável.
A decisão de não avançar para os quatro dias de greve em Dezembro, entre hoje e segunda-feira, foi anunciada pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) ontem à noite, a menos de 24 horas de a paralisação arrancar oficialmente.
Uma das razões da greve tinha a ver com o processo de privatização da companhia, que está em vias de se concretizar. Os pilotos dizem ter direito, segundo um acordo assinado em 1999 com o Governo, a ficar com uma parte – até 20% – do capital da TAP, abdicando de parte da remuneração. A desconvocação deste primeiro bloco da greve (a paralisação a 3,4,5 e 6 de Janeiro mantém-se agendada) foi decidida porque os pilotos dizem ter encontrado “no Governo um interlocutor sério e interessado em viabilizar uma solução equilibrada para o envolvimento dos pilotos no processo de privatização”.
Segundo referem num comunicado, a decisão foi tomada depois de terem garantido que o chamado Acordo de Empresa é cumprido “e de que haverá a recuperação de um clima laboral saudável, através da equidade no tratamento entre pilotos e chefias”.
Isto não foi suficiente, no entanto, para a desconvocação dos oito dias de greve inicialmente previstos. Só vão decidir depois de reunirem os pilotos. Para decidir sobre a manutenção ou anulação dos quatro dias de greve de paralisação, vão convocar “de imediato uma assembleia de empresa” para apresentar as razões da decisão da direcção do sindicato e para os pilotos se pronunciarem.
Um dia de greve na TAP custa à transportadora mais de cinco milhões de euros e, segundo informações prestadas pela companhia ao Jornal de Negócios, mesmo com a desconvocação de última hora dos quatro dias de greve, parte dos prejuízos é irrecuperável, uma vez que foram desviados passageiros para outras companhias. Antes da desconvocação, a TAP estimava serem afectadas por este primeiro bloco da greve umas 100 mil pessoas, contando os passageiros que já tinham alterado as reservas e os que ainda estavam incluídos nas listas de voos.
A menos de 24 horas da paralisação arrancar, mantinha-se o braço-de-ferro dos pilotos com o Governo e a administração da TAP, a quem o sindicato lançou ontem duras críticas, na pessoa do presidente, Fernando Pinto, depois de este ter divulgado, na quarta-feira, uma mensagem a criticar o excesso do “sistema sindical”. À tarde, mantinha-.se o impasse, acabando os pilotos por ceder apenas ao final da noite.


