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Porto Editora vai comprar Círculo de Leitores e negócios da Bertrand ao grupo alemão Bertelsmann

10.04.2010 - 08:33 Por Isabel Coutinho, Ana Rute Silva

<p>As livrarias Bertrand vão passar a estar nas mãos da Porto Editora</p>

As livrarias Bertrand vão passar a estar nas mãos da Porto Editora

 (Gonçalo Português)
O Direct Group, do grupo editorial alemão Bertelsmann, que detém o clube Círculo de Leitores, várias editoras e a cadeia de livrarias Bertrand, vai ser comprado pela Porto Editora. Nem o Direct Group nem a Porto Editora confirmaram a operação, mas o PÚBLICO sabe que o contrato deverá ser assinado durante a próxima semana.

Na corrida à compra estiveram, pelo menos, o grupo editorial Leya, de Miguel Pais do Amaral, e a editora Civilização. Em Janeiro, o administrador-delegado da Leya, Isaías Gomes Teixeira, disse à Lusa que o seu grupo deixara de estar na corrida pelos activos da Bertrand Editora. Contactada ontem, a Civilização não confirmou nem desmentiu o seu interesse, até à hora de fecho desta edição.

Segundo a oferta de venda da Bertelsmann, o comprador do Direct Group teria que adquirir as livrarias 54 livrarias Bertrand, o clube do livro Círculo de Leitores e as editoras Bertrand, Pergaminho (com as suas chancelas Contraponto, ArtePlural, Gestão Plus), Temas & Debates e Quetzal e ainda as livrarias Bertrand, a rede de lojas da livraria portuguesa em Espanha.

Matthias Wulff, responsável de comunicação do DirectGroup Bertelsmann, disse ao PÚBLICO que não pode fazer qualquer comentário sobre o processo de venda. A Porto Editora também não fez qualquer comentário sobre o assunto.

O grupo alemão, que emprega 650 trabalhadores em Portugal, estava a avaliar a venda dos seus activos por "opções estratégicas" desde Dezembro do ano passado e tinha como objectivo conseguir decidir o futuro da empresa no primeiro trimestre de 2010. Os resultados de 2008 ficaram aquém das expectativas dos accionistas: 70 milhões de euros de volume de vendas consolidadas, uma quebra de 2,7 por cento face a 2007.

No relatório e contas desse ano, a Bertelsmann referia que o negócio em Portugal não atingiu as estimativas de receitas e lucros "devido ao abrandamento da economia e à contracção dos gastos dos consumidores". Em termos globais, o grupo teve "receitas mais baixas" e registou perdas operacionais "mais elevadas" do que o previsto no segmento livreiro.

Também o número de sócios do Círculo de Leitores tem vindo a cair em Portugal desde o final de 2006, de 300 mil para 250 mil.

Com presença em 50 países e negócios nos media, o grupo alemão tem optado por manter a operação de venda da Bertrand e das editoras longe dos holofotes.

A aquisição dos activos do DirectGroup pela Porto Editora é mais um passo na concentração do negócio editorial em Portugal, que fica agora nas mãos de dois grandes players: esta empresa do Norte e a Leya. Juntas facturaram mais de 180 milhões de euros em 2008, conquistando uma quota de 47 por cento do mercado editorial.

A onda de fusões e aquisições começou há dois anos com a Leya, que, hoje, detém mais de 20 editoras. Em Novembro do ano passado, Paulo Teixeira Pinto, ex-presidente executivo do BCP, comprou a Verbo e a Ulisseia, formando um novo grupo editorial (Babel), que tem, para já, seis editoras.

De acordo com estudos de mercado da GfK, o sector do livro facturou 137 milhões de euros entre Janeiro e Novembro de 2009, uma subida de sete por cento face a 2008. Em onze meses, venderam-se 11,5 milhões de livros, mais cinco por cento do que no ano passado.

Liderada por Vasco Teixeira, a Porto Editora abriu há dois anos a primeira de uma rede de livrarias Wook, seguindo uma estratégia de reforço na área do retalho. Já este ano reposicionou-se no mercado ao apresentar uma nova imagem. Ao comprar as 54 livrarias Bertrand vem dar fôlego a uma planeada expansão comercial.

Em 2008, a editora registou receitas de 91,5 milhões de euros, um aumento de 5,5 por cento face ao período homólogo. O crescimento foi sustentado pelo bom desempenho da Areal Editores, da Lisboa Editora e das subsidiárias em Angola e Moçambique.

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