O ministro das Obras Públicas, António Mendonça, refere que "ainda há algumas coisas a fazer" no sistema portuário nacional e que "são coisas importantes", algumas até "estruturais".
O PÚBLICO somou os projectos de investimento previstos pelos cinco portos do sistema portuário principal (Leixões, Aveiro, Lisboa, Setúbal e Sines) e chegou aos 511 milhões de euros.
O Porto de Lisboa absorve quase metade destes investimentos (258,39 milhões de euros) com a rubrica das medidas de mitigação dos impactes da construção da terceira travessia do Tejo a garantir a maior parcela, 149,2 milhões de euros, com o maior esforço orçamental previsto para 2011.
O porto de Leixões tem enumerados investimentos na ordem os 131 milhões de euros, a maior parte dos quais destinados ao terminal de cruzeiros de Leixões e ao Centro de Ciência e Tecnologia do Mar (cerca de 50 milhões de euros), e à Plataforma Logística Portuária de Leixões (53,3 milhões de euros).
As administrações portuárias de Aveiro, de Setúbal e de Sines têm previsto investimentos mais modestos: Aveiro investe 14,95 milhões, Setúbal e Sesimbra ultrapassam os 56 milhões e Sines não chega aos 50 milhões.
Uma grande parte destes investimentos destina-se a manter as condições de navegabilidade, com obras de desassoreamento, de aprofundamento de canais ou reforço de diques.
Mas também há investimentos projectados para melhorar as acessibilidades terrestres aos portos. E, neste domínio, António Mendonça elege os acessos ao porto de Viana do Castelo, quer pela via ferroviária, quer pela rodoviária. O acesso rodoviário vai arrancar em 2010; para o ferroviário ainda falta desenvolver estudos. Os projectos "estruturais" mencionadas pelo ministro referem-se à ligação Sines-Elvas, considerada como um elemento estratégico na recomposição da rede de infra-estruturas de conectividade internacional. "Esta ligação possibilitará a estruturação das acessibilidades do país quer internamente, quer relativamente ao exterior, facilitando o funcionamento em rede e articulando os diferentes modos de transporte numa lógica de complementaridade, especialização e eficiência", afirma.
Esta ligação ferroviária deverá estar concluída até finais de 2013 em articulação com a ligação de alta velocidade a Madrid. A Refer tem em curso vários projectos de investimento em diferentes graus de desenvolvimento.
Tambem é a Refer que gere a plataforma ferroviária do país e que vai assegurar uma componente importante dos investimentos previstos para o Porto de Lisboa, por ser ela que vai realizar o desnivelamento do nó de Alcântara (ligação desnivelada da Linha de Cascais e do Porto de Lisboa à Linha de Cintura) orçado em 165 milhões de euros.



