Portugal foi hoje ao mercado primário endividar-se em 2500 milhões de euros
(Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP)Quebrada a barreira dos 14% nas obrigações a dez anos, as taxas de juro da dívida portuguesa acentuaram a recente escalada no custo do financiamento de Portugal no mercado secundário, batendo hoje um novo recorde – de 14,6%. Grécia e Espanha sofreram novas subidas, ao contrário de Itália, que registou um recuo nos juros pedidos pelos investidores.
Comparado com os outros países sob maior pressão dos mercados na zona euro (Grécia, Itália e Espanha), Portugal volta a ser o país onde as taxas de juro das Obrigações do Tesouro mais subiram desde sexta-feira, quando a agência Standard & Poor’s cortou o rating de nove países da zona euro.
As taxas a dez anos aumentaram 2,451 pontos percentuais face a sexta-feira, tendo hoje saltado para os 14,6%. É o valor mais alto exigido pelos investidores pela dívida portuguesa (nesta maturidade) na era do euro, segundo os dados da Reuters.
E os juros a cinco anos já estão próximos dos 19%. A escalada – verificada no mercado secundário, onde são transaccionados títulos de dívida já emitidos pelos Estados – verifica-se no dia em que Portugal foi ao mercado primário endividar-se num leilão de bilhetes de curto prazo.
Pelos 2500 milhões de euros emprestados que conseguiu levantar nos mercados internacionais, o Estado paga taxas de juro mais baixas do que em emissões de dívida anteriores. Mas trata-se de uma operação de financiamento de muito curto prazo (bilhetes que vencem daqui a três, seis e 11 meses), já que os mercados continuam fechados para Portugal em emissões de dívida de longo prazo.
No mercado secundário (onde são transaccionados títulos com longas maturidades) os juros subiram em todos os principais prazos. As taxas a cinco anos mantêm-se no patamar dos 18%, mas tocaram hoje nos 18,7%. Os juros a três anos, que em Julho chegaram aos 21%, registaram hoje uma subida para 19,71%. Nos títulos a dois anos, as taxas estão próximas dos 16% (subiram hoje para 15,92%).
A Grécia continua com as taxas das obrigações a dez anos em alta. Hoje, subiram até aos 34,297%. Espanha sofreu uma subida para 5,17%, enquanto Itália registou uma descida nos juros dos títulos com esta maturidade, para 6,47%.
Bolsas de Lisboa, Milão e Madrid negativas, Atenas em alta
A bolsa de Lisboa regressou hoje a terreno negativo, numa Europa que fechou com os mercados de acções com a maioria dos índices em queda.
O PSI-20 terminou em baixa, a derrapar 0,84%. Dez cotadas fecharam com perdas, nove ganharam valor e uma com as acções a valerem o mesmo da sessão anterior. A banca fechou com as quatro instituições em alta.
Próxima do equilíbrio, a praça de Amesterdão fechou com uma contracção de 0,04% e também Paris e Bruxelas terminaram com quedas muito ligeiras, de 0,15% e 0,1%, respectivamente. Milão desvalorizou 0,31% e Madrid caiu já acima de 1%. Pelo contrário, Frankfurt cresceu 0,34% e Atenas registou uma forte subida de 2,06%, no dia em que foram retomadas as negociações para o perdão aos títulos de dívida grega detidos pelos privados.



