Portugal obteve nos mercados 2500 milhões a curto prazo com juros em queda 
18.01.2012 - 11:51 Por Paulo Miguel Madeira
O Estado foi obteve hoje 2500 milhões de euros emprestados nos mercados, em leilões de curto prazo com taxas em queda e procura forte, como era já esperado.
No leilão de Bilhetes do Tesouro a três meses, foram colocados 496 milhões de euros, com os juros em queda muito ligeira para 4,34%, face a 4,346 na última emissão semelhante, no início do mês. A procura subiu para 4,1 vezes o montante colocado
Na emissão a seis meses, a descida foi maior, de 5,520% em Novembro para 4,74% agora (menos 14%), tendo sido colocados 754 milhões de euros, com uma procura três vezes superior.
Foram emitidos 1250 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a 11 meses com uma taxa média de 4,98%. Desde Abril do ano passado, quando teve de pedir um resgate externo, que o país não emitia dívida a um ano. Nessa altura, pagou uma taxa média recorde de 5,9%, mas a comparação não pode ser muito directa, pois o contexto era substancialmente diferente.
Portugal não tem tido problemas em obter financiamentos de curto prazo, apesar de pagar juros muito elevados face a uma situação normal.
Desde que no mês passado o BCE deu aos bancos da zona euro acesso a quantias ilimitadas a três anos, com taxas baixas (no total, cedeu quase 500 mil milhões de euros), os juros das emissões de dívida pública de curto prazo têm baixado mesmo nos países com mais problemas em obter financiamento nos mercados.
No entanto, isso não tem impedido a subida de juros implícitos às transacções com títulos de dívida portuguesa nos mercados secundários, que ontem atingiram novos máximos da era do euro e que o Financial Times de hoje dizia que estavam a ser transaccionados em “níveis de incumprimento” – já próximo dos 14% a dez anos, nível que hoje ultrapassaram.
A emissão de hoje correu como era previsível, com um resultado razoável face às circunstâncias. “As emissões de dívida correram bem e o resultado global é positivo. As taxas, embora em linha com as que são praticadas no secundário, aliviaram um pouco”, considera Filipe Silva, director de gestão de activos do Banco Carregosa.
“A procura foi significativa. Em suma, tal como se previa, estas emissões, por serem dívida de curto prazo, não sofreram com a descida de rating de Portugal na semana passada”, disse aquele responsável.
Mais que a dívida de curto prazo, “o grande problema é na dívida de longo prazo (superior a 1 ano) e Portugal ainda não tem condições para regressar ao mercado”, explica Filipe Silva.
Notícia actualizada às 12h10, com informação sobre as taxas de juro nos mercados secundários e referência do Financial Times.


