Portugal tem a obrigação de contribuir para o apoio à Grécia, tanto por questões de solidariedade como para manter a estabilidade da zona euro, mesmo que para isso seja necessário aumentar o endividamento, afirmou Teixeira dos Santos.
“Em termos da solidariedade e para manter a estabilidade da zona euro este é um esforço que diz respeito a todos”, afirmou Teixeira dos Santos aos jornalistas em Madrid.
“Todos estamos em dificuldades, com 20 países em défice excessivo e esses países, que fazem parte da zona euro, terão que fazer parte desse esforço. Portugal vai acompanhar esse esforço aumentando também para isso, se necessário o seu endividamento para acorrer a Grécia”, afirmou.
Teixeira dos Santos falava aos jornalistas depois de participar, hoje em Madrid, na reunião dos ministros das Finanças do Grupo do Euro, que antecede o encontro dos ministros das Finanças dos 27, hoje á tarde.
O governante explicou que a contribuição de Portugal para o plano de apoio à Grécia corresponderá a cerca de 770 milhões de euros, mas esse valor não será solicitado de uma vez e que o seu impacto será sempre na dívida e não no défice das contas públicas.
Sobre se o empréstimo à Grécia terá de ser aplicado com um orçamento rectificativo, Teixeira dos Santos explicou que esse é um aspecto técnico ainda a estudar, frisando que o mais importante é estabilizar o euro.
“Portugal beneficiou muito por estar na zona euro, encontrou na zona euro um pilar de estabilidade. Tem de ser solidário com o conjunto de países que partilham esta moeda. É uma moeda comum e também é a nossa e, por isso, é responsabilidade também nossa de defender esta moeda”, afirmou.
O ministro das Finanças considerou que qualquer apoio há Grécia “não tem de comprometer as metas” económicas do Governo, manifestando-se confiante que “os mercados compreenderão que há esforço para assegurar a estabilidade na zona euro”.
Teixeira dos Santos voltou a rejeitar as tentativas de comparar a situação na Grécia com a de Portugal, afirmando que “por cada comentário em tom mais negativo que surja, se podem arranjar três ou quatro mais confiantes e mais positivos”.
“Portugal não tem nada a ver com a Grécia, não se pode confundir com a Grécia”, afirmou.
Para o ministro críticas recentes críticas - como a de artigos publicados na imprensa norte-americano - reflectem “uma corrente de opinião, mais de raiz americana, que sempre se mostrou muito céptica sobre o sucesso do euro”.
Opiniões que “vêm neste momento de crise, um momento oportuno para mais uma vez vir por em causa a capacidade da Europa ter uma moeda única”, afirmou.



